Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Sobre o fim do Verão e este ainda mal começou
O Verão pode ser um adeus mas um adeus só o é verdadeiramente quando nada permanece, quando tudo se esfumou no horizonte, quando as memórias do sal a beijar o corpo, do sol a afagar a alma são passageiras e se estilhaçam antes do primeiro dia de Inverno. Talvez recordar não seja viver, talvez viver de recordações seja um convite a um conforto demasiado confortável, quase paralisante. Talvez uma vida vazia de memórias seja uma estrada demasiado nua, sempre em busca de novos atalhos, de novos acontecimentos que recheiem e satisfaçam a memória temporária. Talvez o equilíbrio seja impossível, talvez o adeus seja sempre fracturante. Ela contemplava o final do Verão e sabia que se o adeus era para sempre era porque não tinha valido a pena dizer adeus. Nenhum Verão deverá deixar-nos para todos o sempre. Um adeus nunca deverá ser um adeus.

