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E depois do adeus

Sexta-feira, 13.04.18

  

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 Fotografia por Ferdinando Scianna

 

Para onde vai o amor depois de morrer?

Com foi possível deixar de a amar?

 

Era feita de céu e de mar

tinha em si todos os cheiros da vida.

Da sua voz nasciam os sons da terra

embalados nos sonhos dos seres.

A sua morada era a das deusas

a origem do amor o seu ventre

era ela a mãe de todas as razões que conhecia para existir.

 

O que há, senão a morte, depois do amor fenecer?

 

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publicado por bolaseletras às 14:25

O assobio

Quinta-feira, 29.03.18

 

  

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Berlim, 1957, por René Burri

 

Pouco mais que sombras pouco menos que gente

seres que levitam na escassez de peso e de existência

batimentos inertes em dúvidas

submersas na certeza da sua trémula opacidade.

 

O assobio que se escuta nas escadas cinzento metálico

não é o de uma alegria quente

expectável

de quem está vivo

de quem tem a possibilidade de amar

é apenas o vento frio que confronta as brechas envelhecidas

do ferro e das gentes

na esperança vã de que alguém recorde como é assobiar.

 

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publicado por bolaseletras às 09:51

A cabana é fácil

Quinta-feira, 15.03.18

 

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Havana, 1994, Peter Ginter eterniza um casal que dança felicidade no hall de um hotel decrépito. O amor e uma cabana, meus senhores, o amor e uma cabana.

 

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publicado por bolaseletras às 14:07

Numa pequena e delicada caixa

Terça-feira, 13.03.18

  

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Tudo o que se apoderava dela naqueles momentos era de uma força incomensurável e, contudo, cabia numa pequena e delicada caixa. Os momentos de êxtase, o toque mágico, como se os dedos fossem uma continuação dos seus nervos e assim a fizessem sentir, vibrar, enlouquecer muito para além do seu corpo, do mundo que julgava conhecer. Num outro universo residiam as sensações inigualáveis, o amor que nunca sonhara existir, a sintonia de dois seres tão diferentes, mas que tocavam nas mesmas cordas um do outro, que produziam os mesmos acordes, como que um canto de sereia de outro mundo. Na pequena e delicada caixa que escondia no seu peito viviam agora as memórias que a faziam viver e sofrer. Não era fácil viver assim, mas preferia uma centelha dessas memórias a todas as vidas que a vida tinha ainda para lhe dar.

 

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publicado por bolaseletras às 14:23

Rangel Trindade, o homem que sonhava viver duas vezes

Segunda-feira, 12.03.18

  

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publicado por bolaseletras às 17:41

O eterno retorno

Segunda-feira, 05.03.18

 

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Amava despertar nos suaves aromas do café pela manhã, simples e a ferver. Depois disso, a perfeição coincidia com o som surdo das palavras a ecoar dentro de si. Se depois desse momento só seu ele a possuísse como só eles sabiam, o dia, o mês, a vida podia fechar para balanço. Não havia nada a desejar para lá disso. Só o eterno retorno.

 

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publicado por bolaseletras às 12:21

Créatures de rêve, Paris, 1952, por Robert Doisneau

Sexta-feira, 02.03.18

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Tiraram-lhe tudo, esvaziaram-lhe o sentido dos dias, só não lhe mataram as memórias e os sonhos que ainda se permitia. Estranhamente, os sonhos confundiam-se e perdiam-se nos suaves e quentes braços das nebulosas da memória. Os objetos oníricos que não lhe abandonavam o corpo, os sentidos e o espírito não partiam rumo ao futuro, tal a força com que se ancoravam no seu passado. Sonhar era regressar ao passado. Viver seria abdicar do passado?

 

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publicado por bolaseletras às 11:08

Um pequeno passo para o homem, um grande passo para a felicidade

Quarta-feira, 21.02.18

 

Relentless curiosity_Girl in Metro. Tokyo_Ed van d

Relentless curiosity, Girl in Metro, Tokyo, por Ed van der Elsken 

 

Tanta gente que se faz desinteressada por este mundo fora, tantos olhares tímidos que lançam a dúvida sobre as intenções. Milhares de silhuetas que se cruzam, se entreolham, mas que preferem a segurança da abandonada solidão a dar um pequeno passo para o conhecimento do outro. Um ligeiro sorriso, uma palavra, um ténue baixar da guarda. Nada. A solidão indesejada dos dias de hoje é fruto do medo do desconhecido, da infantil vergonha e, crescentemente, de regras sociais entranhadas e das condutas politicamente corretas que nos últimos tempos têm enxameado as relações entre homens e mulheres. O piropo educado e sorridente é hoje um crime atroz, um sorriso aberto é uma porta escancarada para um processo de assédio. Não sei quando é que decidimos que isto de sermos humanos e termos instintos era uma das causas dos males do mundo, não sei em que momento fizemos dos nossos corpos imitações mecânicas do que outrora foram seres de carne e osso enterrando de vez a mecânica dos corpos.

 

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publicado por bolaseletras às 14:50

Valentine´s day la la la

Quarta-feira, 14.02.18

 

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Fotografias por Peter Turnley (em Paris, where else?)

 

Porque hoje é dia dos namorados, mas sobretudo porque o amor é quando uma mulher e um homem quiserem, coisa que deveriam querer todos os dias do ano, se souberem o que é bom e não tiverem receio nem preguiça de reivindicar a sua felicidade. Palavras leva-os o vento, sei-o bem, mas não custa escrevê-las, pode ser que uma alma distraída leve isto a peito. Assim sendo, já valeu a pena.

  

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publicado por bolaseletras às 09:50

HOT!

Sexta-feira, 09.02.18

 

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Só tu me fazes falta pela manhã. O teu calor, o teu corpo fumegante, o beijo molhado que me invade todos os poros, a sensação de que a vida só começa depois de te ter. Sim, sabes que falo de ti, do meu vício de todas as manhãs, de toda a vida. Até à última gota. Quente, a ferver, até ao limite indefinível em que por um milionésimo de segundo não me queimas para todo o sempre a língua e a alma.

 

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publicado por bolaseletras às 12:22





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