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O Assédio - O mar

Terça-feira, 25.10.11

 

Tempestade no Mar de Galileu - Eugène Delacroix

 

"- Sabe o que me agrada na gente do mar, capitão? Ter viajado muito e falado pouco. Saber o que viu com os olhos, aprender muitas coisas sem as ler nos livros…Vocês, marinheiros, não precisam de muita companhia, porque sempre estiveram sós. E têm essa réstia de ingenuidade, ou inocência, daquele que vem a terra como quem entra num lugar seguro, desconhecido."

 

Não sendo um profundo conhecedor das gentes do mar, aprendi a conhecer alguém que cresceu no mar e dele viveu, que tem na pele as agruras que o sal cola à vida. E das histórias que a memória lhe cola aos dias reconheço a perfeição da caricatura elaborada por Pérez-Reverte. Os silêncios são os silêncios do mar sob o breu da noite, a ingenuidade é a de quem vive no mar imune à malícia humana e como tal não a conhece. No mar a solidão é acompanhada pela pura violência dos elementos, em terra a solidão encontra-se no meio dos homens. Um barco feito de casca de noz sob uma borrasca inclemente será sempre mais seguro que a terra triste e firme.

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publicado por bolaseletras às 18:20

O Assédio - O mal

Sexta-feira, 07.10.11

  

 

“Rostos onde o crime se insinue, embora a sua experiência o faça concluir que não há traço exterior que permita distinguir um malvado, uma vez que a atrocidade, aquela que foi cometida nas raparigas ou qualquer outra, está à mão do primeiro que passe. Não se trata do mundo estar cheio de inocentes, mas do contrário. Está povoado de indivíduos capazes, todos eles, do pior. O problema básico de qualquer bom polícia é atribuir aos seus semelhantes o grau exacto de maldade, ou de responsabilidade no mal causado, que lhes corresponde. Essa, e não a outra, é a justiça. Aquela que Rogelio Tizón compreende como tal. Imputar a cada ser humano a sua quota específica de culpa e fazê-lo pagar, se for possível. Impiedosamente.”

 

O modo como se entrelaçam na mente humana os intrincados mecanismos do mal será um dos maiores mistérios da humanidade. A razão que levou o pacífico cidadão a esfaquear o vizinho, o clique que conduziu o marido e pai extremoso a estalar o taco de basebol no crânio do amante da prima, as forças ocultas que levantaram do assento do automóvel o pacato automobilista, qual sonâmbulo, qual autómato, com o objectivo único de apertar o pescoço daquele taxista empedernido, as razões são pura cinza que se esvai na fogueira do comportamento humano. Depois, sobrará sempre a dúvida se haverá homens genuína e geneticamente maus, ou se a todo o momento nos poderemos transformar e abraçar as trevas da condição humana. Pérez-Reverte deu-nos um vislumbre da resposta sem nos entregar as certezas em bandeja, até porque no fim acabaremos sempre por duvidar, não fôssemos nós homens, não fosse o assassino um de nós.

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publicado por bolaseletras às 18:57

O Assédio - O inevitável lado negro da lei

Segunda-feira, 26.09.11

 

 

"Tizón gosta do seu ofício. Foi feito para ele. Possui, e tem consciência disso, a dose exacta de falta de escrúpulos e de desapego mercenário, de lealdade técnica que essa tarefa requer. Nasceu polícia e, como tal, fez o percurso habitual: de humilde esbirro a comissário, com poder sobre vidas, bens e liberdades. Também não é que tenha sido fácil. Ou gratuito. Mas está satisfeito. O seu campo de batalha é a cidade que sente em volta, antiga e matreira, repleta de seres humanos. São eles a substância do seu trabalho. O seu campo de experimentação e medrança. A sua fonte de poder."

 

Mais do que a cirúrgica caracterização de uma personagem fascinante, Pérez-Reverte faz-nos reflectir, com a análise do lado negro da natureza humana que o comissário Tizón nos concede, sobre a existência (ou não) de qualidades e características moldadas a determinadas profissões ou cargos. Obviamente que os métodos de Tizón no exercício do seu mister policial estão ajustados às práticas do início do século XIX, mas isso não invalida que no sangue de um polícia não devam correr os mesmos glóbulos que correm no sangue de um facínora ou de um serial killer. Há quem diga que não haverá outra forma de os entender, combater e, sobretudo, de lhes antecipar as intenções. Sei bem de dois amigos com quem gostaria de debater esta teoria. Temos de marcar isso, companheiros.

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publicado por bolaseletras às 18:51

O assédio - A chantagem

Terça-feira, 20.09.11

 

 

"Aproximou-se da porta que dá para os outros aposentos, com o ouvido atento. O silêncio é total, mas ele sabe que a mulher está ali, no quarto do costume, com os lábios contraídos e o olhar baixo, a bordar ou a olhar para a rua através das persianas da varanda. Imóvel como é costume, impassível como uma esfinge e calada como a censura de um fantasma. Com o terço, de que noutros tempos não afastava os dedos, esquecido na caixa da costura. Também não há lamparinas acesas diante da imagem do Nazareno posta numa urna de vidro, no corredor. Há muito tempo que ninguém reza nesta casa."

 

Em tempos de guerra a fé sobrevive como âncora da vida. Mas a fé mantém-se apenas no coração dos homens enquanto lhes garante a vida própria e a dos seus, a saúde, o tilintar das moedas que lhes adoça a existência. Pérez-Reverte explora com sabedoria os becos em que a fé definha e acaba por morrer, encurrala-nos com as almas descrentes na escuridão do desespero. A fé, enquanto fio condutor que nos mantém ligados à esperança, representa tão só uma chantagem que o destino executa na perfeição. Se queres viver tens que venerar, se buscas a luz eterna terás de persignar-te aos Domingos de manhã. As simple as that.

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publicado por bolaseletras às 19:35

O assédio - A perda da inocência

Segunda-feira, 12.09.11

 

 

"- No Domingo, o padre de San Francisco disse que os franceses são servos do Diabo e que Deus quer que os espanhóis os exterminem como percevejos.

Mojarra deu alguns passos, olhando para o chão em frente das suas alpercatas. No fim abanou a cabeça, taciturno.

- Eu não sei o que Deus quer.

(…) – São homens como nós – acaba por dizer. – Como eu, pelo menos os que eu vi.

- Matou muitos?

Outro silêncio. Agora o pai olha para a filha. Por instantes prepara-se para negar, mas acaba por encolher os ombros. Para quê renegar o que faço, pensa, quando o faço. Renegar a obrigação cega para o que Deus – as intenções deste não dizem respeito a Felipe Mojarra – possa querer ou não querer. O dever para com a pátria e o rei Fernando. A única coisa que o marnoto sabe com certeza é que os franceses não lhe agradam, mas duvida que sejam mais servos do Diabo do que alguns espanhóis que conhece. Também sangram, gritam de medo e de dor, como ele. Como qualquer um.

- Já matei alguns, sim.

- Bom – diz a rapariga, benzendo-se novamente – se são franceses não deve ser pecado."

 

Na hipótese de existirem resquícios de inocência nos homens, a guerra encarrega-se de os eliminar. Se numa sociedade medianamente pacificada matar alguém é entendido como um acto excepcional e contrário à normalidade da convivência social, em tempo de guerra o mal cola-se ao que é banal, os princípios jazem pelas trincheiras dos campos de morte. Pérez-Reverte revela mestria na análise das transformações trazidas pela guerra, obriga-nos a mergulhar nas deformações que a mente e o espírito humano apresentam em situações limite. O ódio dos homens é dirigido contra outros homens feitos da mesma massa, e é essa percepção que a guerra não apaga. É essa percepção que se apresenta à consciência de quem mata, é esse o sinal inequívoco de que tudo deixou de fazer sentido.

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publicado por bolaseletras às 17:47

O assédio - a traição da carne

Domingo, 04.09.11

 

 

"Emudecem as guitarras, aplaudem os homens, lançando inconveniências em todas as línguas da Europa. Imóvel, com a cintura dobrada para trás e uma mão ainda ao alto, a bailarina passeia os seus olhos negríssimos pela assistência. Vê-se que está desafiadora. Segura. Sabe que, com o desejo à sua volta espicaçado pela dança, agora pode escolher. O seu instinto ou a sua experiência – é jovem, mas isso tem pouco a ver – dizem-lhe que qualquer um dos presentes colocará dinheiro entre as suas coxas, bastando-lhe pousar nele o olhar. (…) Talvez um dia aquela mulher morra de fome numa guerra futura, quando ficar murcha ou velha. Mas isso não acontecerá nesta. Basta ver os olhares lúbricos que se cravam nela."

 

As armas das mulheres em tempo de guerra são tudo menos convencionais. Os jogos de cintura e a volúpia das formas podem muito mais para desgraçar soldados desprevenidos do que obuses de má pontaria. Pérez-Reverte descerra o véu desse encantamento por alguns recantos de “O Assédio”, historiando os muitos casos em que as mulheres de Espanha se aliaram ao amor pelo inimigo francês, quer por medo, quer por interesse, ou, acredito também, pela seta irresistível do próprio amor. Essa seria a pior traição para um povo, além da traição da bandeira sentir na carne a traição da própria carne. Como tal, o castigo para as que eram resgatadas passava pela humilhação eterna e em muitos casos a morte. Valeria mais morrer de fome do que pelo chicote? Triste destino.

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publicado por bolaseletras às 12:22

"O Assédio", de Arturo Pérez-Reverte

Sábado, 27.08.11

 

 

«Cádis, 1811. Nas ruas da mais liberal cidade europeia trava-se uma batalha muito singular. Jovens mulheres são encontradas mortas. E em cada lugar, momentos antes da descoberta do cadáver, explode uma bomba francesa. Estes acontecimentos traçam um estranho mapa sobre a cidade: um complexo tabuleiro de xadrez em que a mão de um misterioso jogador – um assassino impiedoso, o acaso, a direcção do vento, o cálculo das probabilidades – move as peças que determinam o destino dos protagonistas. Enredados neste enigmático jogo estão um polícia corrupto, a herdeira de um império comercial, um corsário sem escrúpulos, um taxidermista misantropo e espião, um guerrilheiro bondoso e um excêntrico artilheiro francês. O Assédio reconstrói a extraordinária pulsação de um mundo de oportunidades perdidas. Retrata o fim de uma era e um grupo de personagens condenadas pela História, sentenciadas a levar uma vida que, tal como a cidade que os alberga – uma Cádis equívoca, enigmática e contraditória –, nunca mais será a mesma.»

 

Imbuído de uma dolente preguiça, deixo aqui a sinopse da edição da ASA sobre esta boa surpresa que foi “O Assédio” e a descoberta de Pérez-Reverte. A sinopse não é grande espingarda, uma vez que dá a ideia de que o livro anda à volta dos assassinatos das mulheres e na caça ao assassino. Não, há muito mais. Há a resistência dos espanhóis às invasões francesas, entrando-se sub-reptícia e ardilosamente nas características de um povo, nas forças que o movem e nas fraquezas que o destroem. Depois há os meandros da guerra e da estratégia militar, há a vida no mar e o código do que é ser marinheiro, há uma história de amor daquelas que nos cheiram a vida e não a episódios de telenovela. E há honra e cobardia e os inevitáveis duelos. Tudo para recebermos de mão beijada muitas vidas que sabem a realidade, muitas histórias que nos marcam, muita condição humana que reconhecemos como a nossa.

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publicado por bolaseletras às 21:30

Arturo Pérez-Reverte

Terça-feira, 09.08.11

 

 

Nada lera até hoje de Arturo Pérez-Reverte, o que parecendo uma falta grave é, na minha perspectiva egoísta, uma enorme alegria. Não porque o escritor espanhol desmerecesse o meu tempo e dedicação de leitor, mas, precisamente ao contrário, porque descobri um universo literário que estou convencido muito prazer me irá proporcionar de futuro. Muitos dizem que com “O Assédio” Pérez-Reverte atingiu o pico da sua genialidade, posso apenas confirmar que ainda não tendo chegado a meio do livro, este será dos mais bem escritos e delineados livros que já li. Acreditem que não é de ânimo leve que faço estas afirmações, é mesmo fascinado por uma história fabulosamente contada, por me deparar com personagens com uma densidade psicológica que há muito não tinha o prazer de encontrar, por sentir que as reflexões sobre a condição humana que pairam como nevoeiro nos parágrafos de “O Assédio” não são forçadas, mas sim naturais consequências das acções e omissões, das vergonhas e dos actos heróicos de um inesquecível caleidoscópio de homens e mulheres.

 

Não vou debruçar-me muito sobre quem é Pérez-Reverte, não vos maçando mas também não vos poupando uma visita ao Google e à Wikipedia (nos dias de hoje, parece que toda a sabedoria por lá anda, o chamado conhecimento na hora que se fosse uma cadeia de hambúrgueres se poderia chamar fast knowledge). Para conhecer o homem e as suas ideias sem o filtro da subjectividade humana, fui ler algumas entrevistas do escritor. Ficam aqui algumas das ideias que creio confirmam estarmos perante um homem de convicções, sem mordaças na boca e de espírito crítico bem aguçado – meio caminho andado para a boa literatura.

 

 

 

"La clase política de España y de Europa en general, no está a la altura de las circunstancias".

 

“Un político ignorante, como hemos tenido ministros de Cultura y de Educación con un nivel cultural muy bajo, se torna peligroso. Son técnicos, pero con base muy poco sólida. Mi miedo siempre es que la ignorancia unida al poder político, y la incultura unida a la incapacidad de legislar, produce efectos devastadores.”

 

“Mi impresión es que el siglo XX fue el siglo de la esperanza, donde había revoluciones por hacer, había cambios por intentar, victorias por conseguir, luchas por librar, pero esa esperanza fue derrotada. La segunda mitad del siglo XX y el principio del siglo XXI, ha sido la derrota de las grandes ideas que podrían haber trazado un horizonte más digno para la sociedad. Hemos perdido la batalla, somos siervos de un sistema que nos controla y nos asfixia, por eso me temo que ahora cuando hablan de movimiento, revolución, de sublevaciones, el asunto es que ya no es posible hacer una sublevación ideológica. No hay ninguna ideología que mueva a los oprimidos, a los pobres, a los parias de la tierra. La revolución de ahora solo puede ser la de la desesperación, la del rencor, la del ajustar cuentas. De darse una será mucho más brutal, porque no aspira a cambiar la sociedad, sino que aspira a vengarse.”

 

E para terminar, nas palavras infra de Pérez-Reverte sobre a situação política actual de Espanha, substituam por favor o pós-franquismo pelo pós-25 de Abril e a Espanha real pelo Portugal real. Se encontrarem alguma diferença digam-me por favor, só para ver se sou eu que ando distraído:

“A los políticos de ideología, con impulso, con ganas de transformar la sociedad que vivimos en el posfranquismo, la ha rebasado una casta política desvinculada de la realidad y que se han convertido en una especie de "funcionarios" de la política con muy poco contacto con la vida real, que no han trabajado nunca, que nunca han tenido un trabajo normal, que han entrado de jóvenes en el partido político y están divorciados de la realidad social, de la España real. Ese divorcio, entre casta política y la España real, es lo que ha provocado los problemas de los últimos años que se refleja en cultura, en sociedad, en todo.”

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publicado por bolaseletras às 15:25

A importância das primeiras palavras

Segunda-feira, 01.08.11

 

 

Comecei ontem o terceiro livro das férias e finalmente uma entrada auspiciosa. Não é que as primeiras frases garantam um bom resto de livro, mas confunde-me o espírito que um escritor aparente não se preocupar minuciosamente com a abertura da sua obra. Eis as primeiras e prometedoras palavra de “O Assédio”, de Arturo Pérez-Reverte.

 

“À décima sexta pancada, o homem amarrado em cima da mesa desmaia. A sua pele tornou-se amarela, quase translúcida, e a cabeça pende imóvel na beira do tampo. A luz do candeeiro a azeite pendurado na parede insinua sulcos de lágrimas nas suas faces sujas e um fio de sangue que goteja do nariz. Aquele que lhe batia permanece imóvel por instantes, indeciso, com o vergalho numa mão e, com a outra, limpando das sobrancelhas o suor que também lhe encharca a camisa. Volta-se depois para um terceiro que está de pé atrás de si, na penumbra, apoiado na porta. O do vergalho tem agora o olhar de um cão de guarda que se desculpa diante do seu dono. De um mastim grande, brutal e desastrado”.

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publicado por bolaseletras às 22:11





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