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Como o futebol explica o mundo e o potencial de violência que os une

Terça-feira, 31.05.11

 

 

“Os críticos do futebol argumentam que a morte e a destruição é inerente ao futebol. Sustentam que o jogo dá vida a identidades tribais que deviam encontrar-se em extinção num mundo onde uma União Europeia e a globalização destroçam alegremente tais sentimentos arcaicos. Outra teoria similar muito divulgada defende que a origem da violência se pode encontrar no ritmo do próprio jogo. Porque os golos surgem tão irregularmente, os adeptos gastam demasiado tempo sublimando as suas emoções, antecipando mas nunca descarregando. Quando essas emoções se expandem e se tornam incontroláveis, os adeptos irrompem em sombrios acessos dinonisíacos de violência extática.”

 

Este trecho da polémica obra de Franklin Foer (“Como o futebol explica o mundo”) pode facilmente ser acusado de quase tudo: de exagero, de radicalismo, de demagogia, de insensatez. Mas algo do que é expresso neste trecho é falso? É falso que o futebol seja um dos mais apaixonados baluartes das paixões nacionalistas? É falso que o futebol estimule o sentimento de rivalidade e aumente a percepção de que quem não é dos nossos está contra nós? É falso que o suspense e a ansiedade pelo golo libertador seja o combustível de um barril de pólvora cheio de adeptos? É falso que os festejos do golo possam ser momentos da mais pura e louca irracionalidade? Foer ama o futebol mas compreende-lhe os perigos. Talvez não fosse mau seguirmos-lhe o exemplo.

 

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publicado por bolaseletras às 18:46

Como o futebol explica o mundo a sacudir a água do capote

Terça-feira, 12.04.11

  

 

“O Rangers ganha o desafio por três a dois e há apenas uma explicação para o resultado: a lenta e desajeitada linha defensiva do Celtic. Tal facto não interfere com as explicações para a derrota que ouço à saciedade: “Dá-se a porcaria de um apito a um orangista…”. Outro homem refere-se aos árbitros como “mações de preto”. Como é óbvio, queixar-se da arbitragem é um direito fundamental dos adeptos desportivos. Porquê culpar a equipa que se ama quando a culpa das derrotas pode ser facilmente transferida para outro lado.

 

Os adeptos do Celtic são um caso especial. Não se limitam a acreditar que os árbitros tentam tramá-los. Acreditam ter definitivamente demonstrado o fenómeno. O caso contra os «mações de preto» desenrolou-se nas páginas abertas dos anúncios, nas páginas do jornal da arquidiocese de Glasgow, e, de forma mais elaborada, por um padre jesuíta chamado Peter Burns. Baseando o seu estudo em várias décadas de relatos de jogos no Glasgow Herald, o Padre Burns descobriu que os árbitros tinham anulado dezasseis golos ao Celtic, apenas negando quatro ao Rangers. O Celtic tinha ganho duas «duvidosas penalidades» às oito do Rangers. «Parece razoável concluir», escreveu, usando um tom de académico desinteressado, «que a mui-concedida e mui-negada carga de parcialidade a favor do Rangers por parte de oficiais da competição, pelo menos nos jogos da Velha Firma, se mostra realmente digna de escrutínio».”

 

 

 

Tal como Franklin Foer, também eu sou apologista do adágio que defende que o futebol se confunde com a vida ou, pelo menos, concordo que as qualidade e defeitos dos homens são exemplarmente exacerbados num campo de futebol e muitas vezes no ambiente que o rodeia. Se os homens estão formatados para explicar as suas fraquezas e omissões por causas externas e atribuíveis a um qualquer inimigo do bem e da justiça, no futebol essa incessante procura da fuga das responsabilidades próprias casa na perfeição com a existência de um juiz que se quer isento, mas que é tão melhor colar a interesses espúrios e a tentações várias. Se uma equipa de governantes atribui a falência completa da estratégia de crescimento e sustentabilidade que definiu para o país, a um episódio isolado no tempo proporcionado pelos seus adversários políticos, porque não pode um clube e os seus fervorosos adeptos atribuir todas as causas da derrota a um simples homem e ao segundo em que ele indevidamente soprou o demoníaco apito?

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 18:48

Como o futebol explica o mundo e a violência

Sábado, 02.04.11

  

"Incipiente nos anos 80, o hooligan do futebol passou a ser considerado um inimigo de proa do Ocidente. “Uma vergonha para a sociedade civilizada”, comentou, certa vez, Margaret tatcher. Com base no número de mortos – mais de 100 nos anos 80 – os ingleses eram os líderes mundiais na produção de adeptos enlouquecidos, mas estavam longe de ser os únicos. Por toda a Europa, América Latina e África, a violência tinha-se tornado parte da cultura do futebol. (…) Susan Faludi e uma falange de sociólogos deram uma explicação para esta erupção. Escreveram sobre homens excluídos do trabalho, aqueles cujos empregos na indústria foram deslocados para o terceiro mundo. Privados do trabalho tradicional e subtraídos aos altares patriarcais, estes homens procuravam desesperadamente reafirmar a sua masculinidade. A violência futebolística deu-lhes a rara oportunidade de exercerem o seu domínio. Se estes adeptos chafurdaram no racismo e no nacionalismo radical, era porque tais ideologias funcionavam como metáforas das suas vidas. As suas nações e raças tinham sido vitimizadas pelo mundo tão profundamente quanto eles mesmos.

 

A privação e o desenquadramento económicos são explicações óbvias. Mas há tanto que estes factores não explicam. Os Ultra Bad Boys, como Draza, incluem também estudantes universitários com boas perspectivas. Os Caçadores de Cabeças (Head Hunters) do Chelsea, o mais notório gang inglês de hooligans, inclui corretores da bolsa e caçadores de emoções de classe média. Além disso, a história humana tem muita gente pobre, e raramente estes se juntam em grupos para mutilar por mutilar."

 

 

  

No seu brilhante ensaio em que coloca o futebol a tentar explicar o mundo, Franklin Foer dedica boa parte do seu livro a analisar o fenómeno do hooliganismo. Aquilo que em Portugal é visto e descrito como uma franja de marginais e rufiões a quem umas bastonadas chegarão para colocar no lugar, é certamente muito mais do que isso. O facilitismo e superficialidade analítica tipicamente lusitana teimam em não ver todo o quadro, apesar dos sinais que deveriam convidar a uma visão mais abrangente do fenómeno. Foer embrenhou-se no fenómeno na Sérvia e demonstrou inequivocamente a força e influência daqueles adeptos na guerra dos Balcãs. Também percorrendo os pubs e os estádios da velha Albion Foer esmiuçou a importância dos hooligans no modo de vida dos jovens e menos jovens britânicos. Em Portugal, apesar de todos os sinais indiciarem o contrário, quer-se limitar o fenómeno a um bando desorganizado de desordeiros. Era bom olhar para o crime organizado e para as redes de tráfico de estupefacientes percebendo a sua relação com as claques organizadas. Era bom que os responsáveis do Porto e do Benfica percebessem o quão convidativas podem ser as suas baixas atitudes e impensadas acusações para estes criminosos da bola. Para que não venham depois chorar lágrimas de crocodilo e vomitar desculpas esfarrapadas.

  

 

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publicado por bolaseletras às 14:31

Franklin Foer - "Como o futebol explica o mundo - um olhar inesperado sobre a globalização"

Sábado, 26.03.11

 

 

Franklin Foer, um jornalista e editor norte-americano nascido em 1975, escreveu um relativamente esquecido livro que poderá ser um dos mais importantes livros sobre o desporto rei. “Como o futebol explica o mundo – um olhar inesperado sobre a globalização”, confirma com argumentos válidos, histórias reais e episódios marcantes, que mais do que um jogo ou um estilo de vida, o futebol é um fenómeno sem fronteiras. O futebol embrenha-se e confunde-se com a realidade, explica ódios, tem a força que pode arruinar regimes políticos, carrega o peso da história e dos seus ódios seculares.

 

Foer conduz-nos pelos quatro cantos do mundo, revela-nos o brilho e a influência do futebol em comunidades longínquas, explica-nos a sua força onde menos se poderia esperar que esta florescesse. Viajamos pela coragem das mulheres iranianas que tudo fazem para entrar num estádio de futebol, pelo drama de jogadores nigerianos com os pés congelados nos relvados da Ucrânia, regressamos à Inglaterra dos pubs e dos hooligans, sem deixarmos de passar pela confusão entre futebol e guerra que se viveu na ex-Jugoslávia. Em torno do fascinante mundo do futebol, Foer vai tecendo a sua tese. A de que o futebol fugiu ao garrote da globalização, mantendo-se as culturas e fanatismos locais pelo jogo, os feudos regionais de apaixonados pelos seus clubes, as negociatas e as pequenas corrupções circunscritas pelas preferências dos adeptos. Imperdível para quem ama o futebol e, sobretudo, para aqueles que não o percebendo não podem amá-lo.

 

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publicado por bolaseletras às 13:03





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