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Franklin Foer - "Como o futebol explica o mundo - um olhar inesperado sobre a globalização"

Sábado, 26.03.11

 

 

Franklin Foer, um jornalista e editor norte-americano nascido em 1975, escreveu um relativamente esquecido livro que poderá ser um dos mais importantes livros sobre o desporto rei. “Como o futebol explica o mundo – um olhar inesperado sobre a globalização”, confirma com argumentos válidos, histórias reais e episódios marcantes, que mais do que um jogo ou um estilo de vida, o futebol é um fenómeno sem fronteiras. O futebol embrenha-se e confunde-se com a realidade, explica ódios, tem a força que pode arruinar regimes políticos, carrega o peso da história e dos seus ódios seculares.

 

Foer conduz-nos pelos quatro cantos do mundo, revela-nos o brilho e a influência do futebol em comunidades longínquas, explica-nos a sua força onde menos se poderia esperar que esta florescesse. Viajamos pela coragem das mulheres iranianas que tudo fazem para entrar num estádio de futebol, pelo drama de jogadores nigerianos com os pés congelados nos relvados da Ucrânia, regressamos à Inglaterra dos pubs e dos hooligans, sem deixarmos de passar pela confusão entre futebol e guerra que se viveu na ex-Jugoslávia. Em torno do fascinante mundo do futebol, Foer vai tecendo a sua tese. A de que o futebol fugiu ao garrote da globalização, mantendo-se as culturas e fanatismos locais pelo jogo, os feudos regionais de apaixonados pelos seus clubes, as negociatas e as pequenas corrupções circunscritas pelas preferências dos adeptos. Imperdível para quem ama o futebol e, sobretudo, para aqueles que não o percebendo não podem amá-lo.

 

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publicado por bolaseletras às 13:03

O derradeiro grau

Terça-feira, 14.12.10

 

 

Estava numa sessão de formação sobre internacionalização e integração europeia enquanto escrevia isto. A formadora, uma Senhora alemã que falava português não disfarçando o seu germânico sotaque, contrariava a sua esbelta e atraente figura com um discurso abusivamente monocórdico, como se voluntariamente pretendesse disseminar soporíferos sobre as nossas já de si dispersas mentes. Tal como o estado das lideranças europeias, o tom da senhora era de desalento sobre os caminhos da União, as burrocracias ineficazes e repetitivas. Os novos caminhos do tratado de Lisboa são para ela fruto de compromissos políticos muitas vezes desequilibrados, o papel da União Europeia quanto à “União Económica e Monetária” tem-se revelado, como se percebe, um verdadeiro fiasco.

 

Para ela, a coordenação europeia é a de um tigre sem dentes. O tom é cada vez mais monótono e abatido, toda ela se entrega à desilusão da sua aborrecida tarefa. Provavelmente, o facto de ser alemã demonstra o quão fartos estarão os alemães de aturarem os euroburocratas, de os alimentarem e sustentarem. Um dia tudo isto entrará em crise consumindo-se na própria crise que toda esta monstruosidade de instituições e de acervos legislativos sem fim gerou. E aí, o monstro devorar-se-á a si próprio num último grau da integração europeia.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 20:04

Queremos tudo, agora e sem custos

Domingo, 31.10.10

 

Continua o famoso curso para dirigentes públicos por entre mails, telefonemas, gente em stress para conciliar o inconciliável, manter o trabalho a mexer e procurar fazer com que aqueles 2 dias por semana tenham um efeito útil no futuro. Inicia-se uma nova cadeira, “Gestão pública e accountability”, um novo formador - um alto dirigente da administração, ar circunspecto, fato acetinado e gravata afiladinha, a primeira impressão é que se seguirão 8 horas de enfado para ele e para nós. É então que se dá a transformação. O homem mira-nos nas retinas, tira o casaco com artes de toureiro e vai avisando: “Poderá parecer-vos a certa altura que isto será um comício, mas não, o momento exige que vos fale com paixão, até porque senão adormecem”.

 

Vou tentar resumir-vos as principais ideias de um homem normal com uma verve acima do normal, mas não será fácil. Para o Dr. Eugénio, com a globalização os serviços públicos deixaram de acompanhar a rapidez do mundo actual. Queremos tudo, para agora e sem custos. Queremos colocar um pacemaker no velhinho de 90 anos e ao mesmo tempo queremos que o miúdo de 6 anos tenha sessões intermináveis de terapia da fala. Escolher entre prestar os cuidados a um cidadão já muito para além do prazo de validade ou garantir o futuro a uma criança não queremos fazê-lo, queremos tudo, agora e sem custos. Queremos também um hospital, uma biblioteca e um tribunal em Freixo de Espada à Cinta, agora de preferência e não nos falem em aumentar impostos!

 

Se os americanos e os noruegueses têm, por que não haveremos nós de ter, agora e sem custos? Ainda assim, marimbamo-nos nos políticos, falamos deles como se tivessem peçonha. Não queremos saber da política, das políticas que nos regem, dos políticos que as decidem. E eles, sábios e atentos, marimbam-se também no povo. Não, não é bem assim gritamos em uníssono. Têm a certeza? Então pensem lá no crescimento imparável que vai tendo o maior partido do país, o partido da abstenção. Em cada dia de eleições que o sol brilha lá engorda ainda mais o partido dos que se marimbam, porque o sol aquece e a política arrefece. Como se marimbam os políticos? Basta atentar no facto da SONAE, a segunda maior empresa portuguesa com 30.000 colaboradores ter um presidente há incontáveis anos. A maior empresa portuguesa, a administração pública, tem 670.000 colaboradores e teve 6 presidentes (Secretários de Estado da Administração Pública) em 5 anos. Há quem tenha saído da aula cansado, desorientado e a queixar-se de dores de ouvidos. Pois é, não estamos habituados a que nos gritem as verdades olhos nos olhos. A falta que isso faz.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 11:34

Interpenetração multiculturalista, uma expressão que é sempre bonita

Sábado, 26.06.10

Um mundial em África, enxameado de diferentes nações e credos, cores e dialectos, será um perfeito exemplo do multiculturalismo em acção. Isto se a coisa não descambar para a violência dentro e fora do campo. Deixo-vos um teledisco dos improváveis suecos Mike Snow com o tema "Rabbit", filmado em Kingston, na Jamaica. As vozes são de suecos que cantam em inglês, as belezas são jamaicanas e as bundinhas, essas, têm um cheirinho a África. E viva a interpenetração cultural.

 

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publicado por bolaseletras às 10:17

África, mais do que uma bola a rolar

Sexta-feira, 11.06.10

   

 

Não sei se será de ficarmos surpresos ou incrédulos com a ausência de ângulos de abordagem sobre África sem bola, a realidade em que vivem centenas de milhões de pessoas, isto é, parece que a bola se sobrepôs a tudo o resto. Como se fosse tabu falar em fome, doença, corrupção, regimes sanguinários, mortalidade infantil, porque durante um mês a bola vai rolar em África. Deve ser por isto que dizem que o futebol é o ópio do povo, todos nós andamos nas nuvens e recusamo-nos a descer à terra. Não digo que seja uma hipocrisia festejar o futebol em África, até porque pode ser um bom empurrão a vários níveis para o africano continente. Mas já é uma hipocrisia fingir que para além da falta de segurança não há problemas muito graves que poderiam e deveriam ser abordados nesta altura, em que África está na berlinda.

 

O futebol, como fenómeno com uma linguagem universal, é um veículo fantástico para unir os povos, deveria também ser um instrumento primacial para pensar os povos. Deixo aqui o meu contributo, uma reflexão sobre o que é hoje África, 50 anos após a conquista de independência de 17 países africanos. Cito Achille Mbembé, um ensaísta camaronês e um dos intelectuais africanos mais activos. Embora ele faça incidir a sua análise sobretudo na África francófona, creio que a mesma se aplica na perfeição à África lusófona. Deixo um trecho de um texto importantíssimo deste autor, podem ler a análise completa na Courrier Internacional de Junho.

 

 

 

“Aqui estamos nós em 2010, 50 anos após a descolonização. Há, de facto, motivos para comemorar, ou, pelo contrário, deveríamos recomeçar do zero? Restauração autoritária aqui, multipartidarismo administrativo ali, mais além, escassos avanços a qualquer momento reversíveis e, um pouco por todo o lado, elevadíssimos níveis de violência social, verdadeiras situações de enquistamento, conflito larvar ou guerra aberta, tendo como pano de fundo uma economia de extracção que, em consonância com a lógica mercantilista colonial, continua a favorecer os predadores. É esta, com raras excepções, a paisagem do continente africano no seu conjunto.”

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 10:16

De tesoura em riste

Terça-feira, 03.03.09

Tenho que tratar de cortar o cabelo. Esta é daquelas obrigações que sempre me perturbou. No meu espírito, não faz o mínimo sentido um tipo ter de se preocupar mensalmente com uma ida ao barbeiro. Nem quero imaginar se tivesse nascido do belo sexo e tivesse de incluir no pacote a manicura, a depilação, a limpeza de pele e outras artes que tais. Porque será que não chega o banhinho diário, as escovadelas de dentes, as lavagens de mãos e demais actividades higiénicas para garantir o são e bem cheiroso convívio entre membros da nação, da cidade, do bairro, do prédio, do leito conjugal?

 

Desde que me lembro de ir ao barbeiro pelo meu pé (creio que desde a tenra adolescência) que assisto nessa histórica instituição aos mais inacreditáveis diálogos, monólogos e discursos onanistas. Eu com o traseiro irremediavelmente assente na vetusta cadeira e com a batinha anti-pelo bem justa à farpela, e o artista da tesoura com a verve inflamada. Temáticas? Infalivelmente a bola, o glorioso, os bois pretos com apito na boca, a caça e as petiscadas subsequentes, as meretrizes petiscadas, as gajas que passam na rua, os pretos e o Ultramar, os chulos do governo, os temerários feitos dos filhos e as filhas puras que nem neve, a vaca da sogra, enfim, um manancial inesgotável.

 

Não, nunca apanhei um barbeiro homem que não falasse, que preferisse o silêncio a que convida uma actividade tão cirúrgica. De onde virá tamanha confiança no interesse que as suas palavras terão nos impotentes tímpanos dos pobres clientes? Creio que eles sabem que nós sabemos que eles têm a lâmina e a tesoura na mão...nós somos meros roedores na ratoeira que é a cadeira do barbeiro.

 

Felizmente, neste caso a globalização jogou a favor do cliente. É ver um novo mundo de barbearias com profissionais vindas da terra de Vera Cruz, sorridentes, resplandecentes, com mãos sem pelos indesejáveis. Finalmente lavar a cabeça no final do corte passou a ser um acto agradável, trocou-se a sensação de termos a nossa cachimónia chocalhada por duas mãos sapudas e repugnantes, por uma suave massagem proporcionada por um par de mãozinhas delicadas e compreensivas. VIVA A GLOBALIZAÇÃO!

 

 

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publicado por bolaseletras às 23:18





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