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Não somos todos gregos, somos todos loucos!

Quinta-feira, 16.07.15

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Valerá a pena continuar a escrever e a perorar sobre a situação na Grécia? Não será o momento de parar para pensar? Não será loucura acrescentar mais loucura à completa insanidade do que os media nos vão oferecendo todos os dias? Bem mais importante do que opinar é ouvir quem sabe, é separar o trigo do joio, é encontrar a agulha da verdade cristalina por entre o palheiro da gritaria da turba. O Pedro Santos Guerreiro, fazendo jus ao nome, tem lutado incessantemente por chamar os bois pelos nomes neste chiqueiro em que se tornou a Europa. Deixo mais abaixo umas assustadoras pérolas de um excelente artigo que podem ler aqui.

“A União Europeia foi longe de mais na violência estéril e vingativa. Para destruir o Syriza está a ceifar-se um povo.”

“Repito: a Grécia vai ter uma recessão pior do que a que os Estados Unidos viveram na Grande Depressão de 1929. Repito: o plano económico vai falhar porque foi concebido para falhar. Repito: desistimos dos gregos e resistimos a ver o desastre encomendado.”

“Mas a Alemanha quis tanto destruir o Syriza, por vingança e por dissuasão a que outros países elejam partidos radicais, que perdeu a noção da força. Mais um pacote recessivo vai destruir mais economia e mais emprego numa economia já exangue.”

“Tsipras, o temível mastim indomável, está amestrado como um caniche. Dá dó. A direita rejubila. Também dá dó. Porque ninguém para, escuta e olha para perceber na loucura que estamos a patrocinar.”

“Percebe-se a pulsão de obrigar o país a adotar as reformas estruturais nunca adotadas, incluindo a de ter um Estado que funcione e que cobre impostos. Mas não é destruindo o espaço político e aniquilando a economia que tal vai ser conseguido. A violência na Praça Syntagma é desenrolada por grupos anarcas ruidosos mas pouco representativos. A miséria que se alastra, não: é de todos.”

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publicado por bolaseletras às 09:40

Jesus, Sócrates e Maquiavel - e o dedo do meio sempre lá

Segunda-feira, 06.07.15

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Ontem, depois da magnífica representação europeia de mais uma tragédia grega, vociferava uma amiga sobre a parolice dos principais canais noticiosos nacionais terem trocado a análise da situação e das consequências das escolhas do povo grego pelos dramas da bola lusitana. A coisa chegou ao ponto de se colocar no altar televisivo, ao invés dos deuses gregos, o filho pródigo do Deus da bola, o mestre da táctica, o nosso JJ. Expliquei-lhe que desde que o filósofo grego Sócrates passara a jogar pela selecção do Brasil nada mais voltou ao que era, que desde aí as águas se misturaram irremediavelmente. Assim, enquanto pelas ilhas gregas o povo gritava que podia estar no lodo mas que ainda assim preferia afundar-se numa desgraça desconhecida do que abraçar as desgraças já conhecidas, JJ dava show pelos estúdios de Carnaxide, mostrando a todo o Portugal que aquilo das calinadas era só para enganar. Eu, pecador, me confesso. A animosidade com que olhava para JJ por ser treinador da agremiação vermelhusca impedira-me de beber o interesse das palavras do homem, um homem que só fala de bola e que dela fala sem rodriguinhos e sem jogar para trás. O momento alto da entrevista foi quando, após um one man show de Rodolfo Reis em que este lhe deu por mil vezes os parabéns por ser ele o novo chefe do Sporting, contra tudo e contra todos, pretendendo assim envenenar o ambiente entre JJ e o Presidente, Jesus, resistindo ao mel de tão entusiasmados encómios, tomou a palavra para dizer, sem margem para dúvidas que quem mandava no Sporting era o Presidente e o resto era conversa da treta. Quanto a Simões, esse apaniguado conivente das forças do mal, arrumou-o com um “então você faz as perguntas e logo a seguir dá as respostas?”. Melhor que isto, e voltando à magia das ilhas gregas, só a genialidade do golpe matinal de Alexis Tsipras que, após tirar com uma mão o sim ao senhores da europa, com a outra lhes cedeu, em bandeja de ouro, a cabeça do principal responsável pelo não. Varoufakis, o sacrificado, devia ter lido mais Maquiavel.

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publicado por bolaseletras às 09:54

E assim vai o berço da democracia

Quinta-feira, 02.07.15

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Provavelmente, serei um dos poucos opinadores da blogosfera que ainda não botou faladura sobre a tragicomédia grega, o referendo que hoje é, que amanhã poderá ser cancelado por quem o propôs ou que poderá, caso os seus proponentes não deem pela milésima vez um tiro no pé, ser invalidado pelas instituições fiscalizadoras da Grécia por ser demasiado complexo para o comum cidadão helénico. Sinceramente, por muito que abomine a rede burocrática e infecta de privilégios em que se tornaram as instituições europeias, estranho muito como há pessoas sérias e intelectualmente desenvoltas que vibram com estes jogos manhosos e pouco honestos da dupla Tsipras-Varoufakis. Esquecendo os não engravatados que são bem piores que muita chusma que aperta o gasganete com o nó da suposta honestidade, diria que o triste disto tudo é que há gente, gente de carne e osso por trás de tantos interesses, teimosia, incompetência e egos infantis mal disfarçados. Há crianças que vêm os pais desesperados, há velhos que não podem ajudar as suas crianças, velhos sem medicamentos, velhos que choram um passado que não lhes deu, afinal, um presente, quanto mais um futuro. Há ainda adultos que se sentem impotentes como crianças e frágeis como velhos. E onde nos leva tudo isto, tanta insanidade e incapacidade em caminhar em direção ao que realmente é importante? Leva-nos à velha e cruel conclusão de que o homem é o lobo de si próprio. Conduz-nos à terrível certeza de que a paz e o bem-estar não são desígnios dos homens e de quem foi por eles escolhido para os representar. Traz-nos aqui, à terra de ninguém, a terra onde as crianças um dia deixarão de sorrir.

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publicado por bolaseletras às 15:47

Entre a nobre arte da sedução e as dúvidas helénicas - algures por aí estará a resposta

Quinta-feira, 05.02.15

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Ontem, uma colega minha que sempre tive por relativamente discreta, séria, e pouco dada a manifestações públicas de preferências amorosas, rasgou as vestes do seu estado de respeitosa quarentona divorciada e declarou, a mim e a outra colega, a sua mais recente paixão, bem espelhada no êxtase com que todas as manhãs acompanha as mais recentes manobras de sedução internacional de Yanis Varoufakis, o novel e nada politicamente correcto ministro das Finanças grego. Ainda recupero do momento em que o rubor invadiu a face desta vítima da loucura à primeira vista e proclamou: “Por mim pagava os impostos que ele quisesse, onde ele quisesse, na posição que ele quisesse”. Especialista na oculta ciência económica da “teoria dos jogos”, ofício que na minha ignorância associo à arte de elaborar estratégias complexas que conduzam ao sucesso dos nossos objectivos mais ocultos, esta nova estrela do firmamento político europeu tem sabido ser um sedutor nato. Se primeiro convenceu, juntamente com o primeiro-ministro Alexis Tsipras (outro artista da sedução), os seus eleitores a concederem-lhes o poder em troca do paraíso, do rasgar de incómodos e dispendiosos compromissos que soçobrariam diante das suas eloquentes e brilhantes propostas para toda uma nova forma de fazer girar as envelhecidas e ferrugentas rodas da economia europeia, quiçá mundial, por outro lado, Varoufakis, nessa ronda de visitas aos seus financiadores e parceiros europeus tem sabido recuar convenientemente, naquele jeito de quem recua para ganhar mais balanço. Para dentro um discurso, para fora fala em acabar com o problema endémico de comandar uma Grécia afogada na corrupção e noutros pecados que tais, declarando humildemente que é ministro de um país falido. Se as suas sedutoras teorias encantam alguns, sobretudo aqueles e aquelas que não resistem ao namorico entre a fria e aborrecida realidade dos números e os gestos e as palavras grandiloquentes, haverá que não esquecer que, do outro lado, estão instituições, países e organizações internacionais sustentadas e constituídas por gente eleita pelos chamados partidos moderados do centrão. Será que as recém-empossadas estrelas gregas acreditam realmente que o sucesso de um partido de esquerda radical no governo é um desejo profundo dessas instituições, organizações e partidos? Não percebem que esse sucesso equivaleria aos donos do poder abrirem, de par em par, as portas do poder a esses pequenos partidos radicais? Não perceberam os claros sinais de ontem do BCE? Ou será que essa suposta ingenuidade faz parte do jogo?

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publicado por bolaseletras às 18:11





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