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Ainda sobre moças avantajadas e os guardiões das supostas verdades

Quinta-feira, 04.12.14

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Como nunca é demais repetir as raras pérolas de que a blogosfera vai deixando rasto, reforço a chamada de atenção do Luís M. Jorge e destaco com a devida vénia a excelente análise do blogger Morgado Fernandes. Como alguém hoje questionava em carta escrita a vermelho ao Diário de Notícias, perguntando “quem nos guarda dos guardas?” - supostamente referindo-se aos representantes do poder judicial – eu, que prefiro que os guardas a que se refere o Senhor Engenheiro nos vão guardando sem a guarda de sabe-se lá que poderes a não ser a dos guardas judiciais das instâncias superiores (em que pensaria o Senhor Engenheiro? Polícias de Juízes? Fiscais dos bons costumes jurisprudenciais?), considero a questão bem mais pertinente quando aplicada à classe dos jornalistas. O poder deste quarto poder é já hoje imenso, para que a ausência de controlo de qualidade (falo em controlo de qualidade, não de controlo ou censura, atenção) da sua actividade não seja encarada como uma questão fundamental numa sociedade moderna.

A falta de cuidado, profissionalismo, muita preguiça e zero qualidade que se percebe no post acima referido acontece porquê? Sem querer fazer nenhum tratado sobre o porquê do estado dos media nos dias de hoje, avanço desde já com uma explicação, alicerçada em dois factores que se misturam gerando uma mistela que tem tanto de explosivo como de intragável: o desinvestimento dos meios de comunicação social em recursos humanos aliado ao avassalador volume de informação, verdadeira ou falsa, testada ou meramente vomitada pelas redes sociais da moda, gratuita e acessível num clique ao público em geral ou a jornalistas sem tempo, sem experiência ou formação técnica ou deontológica minimamente suficiente, sem autorização superior para gastar tempo e recursos em investigações jornalísticas sérias – essa mistela trouxe-nos aqui, a um estado da arte em que nunca podemos ter a certeza de que o que estamos a ler corresponde à realidade ou ao universo da ficção. Quem nos guarda dos guardadores da suposta verdade?

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publicado por bolaseletras às 17:47

Ponham-se finos!

Segunda-feira, 17.09.12

 

 

Hoje é daqueles dias em que me apetece fazer justiça. Todos os dias me devia apetecer fazer justiça, o problema é que essa nobre actividade geralmente comporta obstáculos e problemas vários. Começando nas burocracias que protegem os infractores de um qualquer sistema viciado, repetitivo e informalmente aceite pela sociedade (malta que deixa o carro em cima do passeio para ir almoçar, gente que leva para casa material do escritório, milhões de cidadãos que não pedem factura, dezenas de milhares de senhorios que não passam factura, escolas, colégios e hospitais onde só se consegue aceder ou ser atendido a tempo com cunhas de gente bem colocada, funcionários públicos que desperdiçam/abusam dos dinheiros públicos, funcionarioszecos que aldrabam o sistema de picagem de ponto, epá, podia estar aqui o resto da vida!!!) e acabando no facto de muitos dos infractores serem nossos amigos, vizinhos, familiares, conhecidos, malta que vai ao café lá do bairro, etc. e tal. É em tempos como os que vivemos que temos que dar o salto e sair da nossa “zona de conforto” (sim, Passos, eu sei que gostas, é mesmo para te dar graxa) e começar a moralizar esta bandalheira. Perdi a paciência, meus amigos, ponham-se finos que isto agora vai começar a doer. A bem da Nação!

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publicado por bolaseletras às 17:46

Not to special

Quinta-feira, 24.11.11

 

 

Um divertido leitor do The Guardian participou numa rábula sobre o futuro special one que tarda em o ser, com esta montagem que vale não por mil, mas por um milhão de palavras. Até à chegada de Mourinho e da armada portuguesa a Stamford Bridge sempre desconsiderei o Chelsea como uma equipa de futebol, pelo menos como uma equipa que respeitasse ou levasse a sério, porque deitar milhões de euros, rublos ou lá o que é aquilo que brota dos bolsos sem fundo de Abramovich para um campo cheio de rapaziada a jogar à bola, nunca foi coisa que respeitasse muito.

 

Depois, com a chegada de Mou e da armada lusitana o bacoco patriotismo falou mais alto e quase me esqueci (acho que poderia dizer esquecemos, não devo andar sozinho nisto) que pelo facto de alguns jogadores pedirem a bola na língua de Camões não diminuía o tamanho da ignomínia. Saiu Mou e ficou o espectáculo de sempre: um bando de vedetas contratadas e pagas a peso de ouro, um rodopio de treinadores que serviam enquanto os caprichos do mestre eram cumpridos e o seu ego afagado com vitórias. Um clube e uma equipa deverão viver de suor, arte e esforço, da sua capacidade de superar as dificuldades e do consequente orgulho que esses factores chave provoquem nos seus adeptos e assim os estimulem para a adoração clubística. Se tudo é fácil, se tudo depende de assinar um cheque, onde fica a paixão, a que cheira o suor ressequido nas camisolas, onde nasce a vontade de superação? Dormirão de consciência tranquila os adeptos do Chelsea? Amarão o seu clube como nos tempos em que o dinheiro custava a ganhar? No futebol, como na vida, geralmente a justiça rebenta muros de betão com as suas raízes de imparável pujança. Por isso a ansiada taça não chega, por isso depois de um special one que venceu a justiça nada mais foi como antes. 

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publicado por bolaseletras às 21:04

London calling - O vento e as cinzas da justiça

Sexta-feira, 19.08.11

 

 

Desilusão? Impotência? Raiva contida? Medo? O que sentirá este polícia que caminha pelas ruínas da sua cidade consumida por cinza ainda fumegante, por entre as ruas que agora lhe escapam ao controlo e à compreensão? Os cidadãos que jurou defender são agora os seus inimigos, os inimigos da restante parcela de cidadãos que ainda procuram a paz apesar dos apertos da vida, aqueles que buscam uma saída pacífica para a violência de uma sociedade onde já não parece caber a concórdia. O bastão da justiça pesa-lhe na cintura e arde-lhe nas mãos nuas e suadas. Numa cidade a ferro e fogo, a justiça vale tanto como as cinzas que o vento inabalavelmente leva consigo.

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publicado por bolaseletras às 20:39

O presente é passado, olhemos para o futuro

Quinta-feira, 24.02.11

 

 

Quis a divina providência que uma conferência sobre o futuro da justiça me impedisse de ver a eliminação do Sporting às mãos do Glasgow Rangers, além de me ter proporcionado uma barrigada de fome que durou até à meia hora atrás. Pensamos que o mundo está todo espartilhado, mas isso não é bem assim. Se para discutir o futuro da Justiça a maior preocupação é discutir os erros do passado e enumerar as opções incompreensíveis, na discussão sobre o Sporting já enjoa o apontar de culpas e culpados, o esmiuçar raivoso dos erros, dos descaminhos, das atrocidades gestionárias. Futuro, futuro, futuro, o que é que não percebem??? Estratégia para sair do buraco, objectivos bem definidos para atingir as metas que se querem ambiciosas, planeamento rigoroso e uma equipa com competência para o pôr em prática, é isso que deveria estar em discussão. O passado foi lá atrás (e este presente já é passado), serve para não repetir os mesmos erros, mas nada mais que isso.

 

Do resumo de 3 minutos que vi há pouco há um momento que ficará para sempre na minha memória leonina. Quando no último minuto do jogo, aquele em que não podíamos sofrer um golo, o Rangers mete 4 jogadores ao segundo poste na pequena área enquanto um punhado de jogadores do Sporting esbraceja atarantado no outro lado da pequena área. O descontrolo psicológico é isto, a falta de confiança é isto, o medo de perder é isto. E quando a cabeça não consegue as pernas não servem para nada. Este passado tem que ser colocado para trás urgentemente. Talvez seja exagero dizer a bem da nação, mas será certamente a bem da sobrevivência do Sporting.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 22:45

A mentira a mentira a mentira

Sexta-feira, 03.09.10

  

 

É esquiva e insidiosa. Invisível, pegajosa, mas contudo escorregadia. Vive em todos nós com diferentes graus de descaramento. Mas está sempre lá, qual lapa, qual sanguessuga, a consumir o que de bom há em nós. Há quem passe a vida inteira a tentar expurgar esse cancro da sua mente, das suas acções, das suas promessas. Mas há também quem conviva bem com ela, quem não a considere um parasita indesejado e a acolha com honrarias. Depois, casos mais patogénicos, há quem acredite nela, a ela se submeta e a consagre como a sua verdade. E passamos a vida a procurar descobrir se é ela a verdade que nos atiram para os olhos, ou se o que vemos e ouvimos mais não é do que uma patranha sem igual.

 

A dúvida cola-se sempre a essa realidade indistinta, a verdade vive envolta no nevoeiro incessante. Se o Professor é um arauto da defesa do descanso dos rapazes ou se afinal é um ordinareco que se julga acima da lei e não admite que controlem os níveis de urina da rapaziada. Se o ex-apresentador e ex-amigo da bota Botilde é um pobre perseguido pelo sistema, vítima de maquiavélicas conspirações, ou se é um reles mentiroso que vai até ao fim para negar o nojo que tem de si próprio. Sempre a dúvida, sempre a eterna e incontornável incerteza.

 

p.s. - A justiça pode não falhar, mas vir tarde, ai isso é certinho!

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 18:01





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