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Conversas n´A Catedral

Domingo, 19.06.11

 

 

"Da porta do La Crónica, Santiago contempla a Avenida Tacna, sem amor: automóveis, edifícios desiguais e desbotados, esqueletos de anúncios luminosos a flutuar na neblina, o meio-dia cinzento. Em que altura se tinha fodido o Peru?"

 

É com esta pergunta que se iniciam as mais de 600 páginas de “Conversa n’A Catedral”. Encontram-se milhares de apreciações desta obra prima da literatura, mas para mim Vargas Llosa pretendeu com este livro, mais que tudo, dar resposta à pergunta inicial: quando se tinha fodido o Peru? Todas as personagens, todas as relações que entre elas se estabelecem, as suas acções e omissões, o evoluir da trama, caminham no tecer da teia que conduziu à desgraça do Peru e dos peruanos. Poderia falar, como o faz João de Melo no prefácio da edição da D. Quixote, na vertente política do romance, numa sociedade em busca da tribo da família, dos universitários, dos ideólogos efémeros, da casta dos jornais, dos quartéis, dos gabinetes corruptos e das esquadras da polícia. Todas estas tribos, corporações e castas estão na génese das razões da auto-fecundação do Peru.

 

 

 

E foi por entre o bulício das putas das ruas e dos botecos de Lima, por entre a corrupção dos irrespiráveis gabinetes do poder, foi por essas avenidas de nojo que Vargas Llosa edificou os alicerces do desastre de um país. As pérolas que se seguirão mais não serão do que as razões profundas, por vezes aparentemente superficiais, directas ou indirectas da decadência do Peru. Ironicamente, essas razões não serão específicas da nação peruana, podendo aplicar-se a muitos outros países. Experimentem aplicá-las ao nosso querido Portugal, pode ser que não se surpreendam.

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publicado por bolaseletras às 11:56

Mario Vargas Llosa

Segunda-feira, 13.06.11

 

 

Há quem diga que um grande escritor tem que o ser a cem por cento, sem outras ocupações, paixões, sem deslocar o pensamento e as ambições do caminho das letras. Jorge Mario Vargas Llosa, escritor peruano, foi tudo um pouco, desde jornalista a político, trabalhador numa biblioteca a funcionário num cemitéiro, o que lhe permitiu, felizmente, encher de vida e de conhecimento da mesma a sua obra literária. A literatura é a sua utopia, como que uma segunda pele, nas palavras do escritor “a escrita tornou-se quase uma respiração”. Vargas Llosa sabe que o processo de escrita é doloroso e que em última instância pode ser um entrave à felicidade (“Só quando se carece de imaginação e de desejo é possível um estado de felicidade permanente”). Como escritor vivia num turbilhão de imaginação incessante, como homem sempre foi incapaz de resistir ao apelo do desejo. Apesar disso, Vargas Llosa soube usufruir da felicidade que a vida e a escrita lhe concederam (“Claro que eu já me senti muito feliz, sobretudo em experiências vinculadas ao amor e ao meu trabalho. A literatura já me deu momentos de grande exaltação”).

 

Conversa n´A Catedral será o seu romance mais aclamado e foi incrivelmente escrito aos 33 anos (o Messias das letras?). Semearei pelo blog algumas pérolas desta obra imperdível, sendo certo que este livro de mais de 600 páginas não é feito de grandes e inesquecíveis frases, mas de um irresistível cheiro a vidas, a histórias de gente, um caleidoscópio de personagens que acredito não mais esquecerei. Aos 33 anos grande parte da nossa geração à rasca vive em casa dos pais e queixa-se da vida. Aos 16 anos Vargas Llosa já trabalhava para viver e aos 19 anos estava casado. Os profissionais de sucesso não se fazem só de génio, meus amigos, levantem o cu do sofá e libertem os dedos da playstation, o mundo espera por vós!

 

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publicado por bolaseletras às 14:46





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