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Gente feita de gente

Sexta-feira, 22.03.19

 

Elizabeth Taylor resting during the filming of Sud

Elizabeth Taylor a descansar, durante as filmagens de "Suddenly, Last Summer" (Espanha, 1959)

 

Precisa-se de gente que abra, gentilmente, alas para quem vem da esquerda ou da direita,

gente que não corra

que não salive quando vê o amarelo beijar o calor assassino do vermelho

homens e mulheres que respirem a serenidade de nuvens imperfeitas

de suspiros de algodão em forma de bolas de sabão

nuvens que não sabem se chovem ou se serenamente flutuam

indecisas entre imitar redondas baleias ou tesouros do tamanho do sonho das crianças.

Procura-se gente que não pergunte por razões

almas despidas de porquês

senhoras que não pintem os lábios ou tisnem os olhos,

mulheres com pestanas que se deixem levar p´lo vento sem toques nem retoques.

Anseia-se por homens com simpáticas e sorridentes barrigas

machos sem machezas nem mulherezas

apenas homens que riem alto quando ninguém dorme

e que ressonam quando a noite cai.

Buscam-se crianças de joelhos esfolados

com cheiro de riso e de relva molhada

tristes e felizes petizes de lágrimas embrulhadas em gargalhadas tolas

redondos de tanto chutar bolas

esqueléticos de tanto correr,

como se o mundo e a felicidade de o descobrir fossem uma estrada sem fim.

Precisa-se de gente feita de gente.

 

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publicado por bolaseletras às 17:29

Os nomes

Sexta-feira, 22.03.19

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Give your daughters difficult names. give your daughters names that command the full use of tongue. my name makes you want to tell me the truth. my name doesn’t allow me to trust anyone that cannot pronounce it right.” — Warsan Shire

 

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publicado por bolaseletras às 10:59

É todos os dias e não apenas quando o homem quiser

Sexta-feira, 08.03.19

 

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Hoje de manhã ouvi na rádio uma mulher forte - como todas as mulheres o são, mesmo que não mostrem, mesmo que alguém não permita que elas revelem toda a sua indomável força – que o feminismo mais não é que lutar por direitos e deveres iguais para homens e mulheres. Comentando isso com outra mulher igualmente forte - uma mulher extraordinária que sempre derrubou todos aqueles que lhe queriam derrubar essa força – dizia-me ela que a irritava sobremaneira aquelas mulheres que davam mau nome à causa e ao género dizendo que não queriam nada disso, que queriam continuar a usar saias e a ter o direito de vestir as suas filhas de cor de rosa. Eu, como não quero meter a foice em seara alheia, digo apenas que este dia serve sobretudo para nos lembrar a vergonha que é termos que assinalar um dia que deveria ser, naturalmente, todos os dias. Ainda assim, deixo aqui uma singela mensagem lida num qualquer mural de um qualquer instagramer que bem parece saber o valor da mais bela flor da criação:

 

Feliz dia da mulher

 

A força que brota

do seu coração

faz nascer o sol

na vida daqueles

que te rodeiam

 

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publicado por bolaseletras às 11:27

Desgraça

Sábado, 02.03.19

  

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Ligeiramente perdido nos pensamentos, enquanto faço tempo para que resolvam mais um bug informático dos tempos modernos descubro, por entre dossiers antigos de reuniões vetustas, um dos livros que mais me perturbou nesta já longa carreira de leitor, hoje tão tristemente adormecida. Folheio as páginas e encontro assinaladas as passagens de um diálogo brilhante, machista, misógino e despudoradamente belo como só a literatura o sabe ser, em todas as suas contradições e intermináveis sentidos. Um livro pode causar-nos repulsa e tornar-se inesquecível, um autor pode ser um filho da puta e um (in)questionável génio.

 

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publicado por bolaseletras às 16:03

Da beleza

Quarta-feira, 06.02.19

 

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publicado por bolaseletras às 15:11

Xeque-mate

Quarta-feira, 30.01.19

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Sabia que a melhor defesa era o ataque. Não porque seguisse as tácticas estéreis dos livros da moda mas, simplesmente, porque a vida lhe ensinara essa crua lição. Esperar pacientemente era mais da sua natureza, mas os resultados que obtivera refugiada nessa confortável passividade revelavam à saciedade que o conforto não era sinónimo de sucesso. Fora quando avançara a dama e as torres sem medos, enfrentando o rei e seus bispos de peito aberto, que conquistara terreno, que ganhara o respeito e a admiração das suas presas. Ao invés, quando caminhara passo a passo, lenta e cautelosamente, com os seus tímidos e inofensivos peões, apenas obtivera um sorriso sarcástico do rei e suas tropas, prontas para a espezinhar. A conquista implicava risco e era o risco que a mantinha viva. O receio era o rastilho para uma derrota humilhante.

 

No último lance, no xeque final, olhou o rei nos olhos e ele cedeu-lhe a sua casa, o destino desejado, a derradeira entrega, o momento em que a vitória de um significava a vitória do outro e em que os medos, a ambição, e a vitória se fundiam e esfumavam no calor daquela entrega.

 

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publicado por bolaseletras às 10:30

Ahhh o Natal, as prendas, as luzes, as renas, os sininhos, a espada de Dâmocles...

Quarta-feira, 19.12.18

 

Ahhh a indecisão, os suores frios, o receio de falhar e de desiludir mortalmente a pessoa amada! A espada de Dâmocles que paira sobre a nossa cabeça, balançando ameaçadoramente, aguardando que alguém, aquela pessoa que venha a odiar a prenda para ela escolhida corte o frágil e quase invisível fio que nos prende à vida, que a espada do ultraje e da rejeição nos entregue à perdição! Minhas amigas e meus amigos, ficam aqui algumas sugestões natalícias que poderão fazer de nós pessoas mais serenas, felizes e agarradas à vida. Não têm de quê.

 

Um par de conchas 

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Uma bicicleta com selim

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Um veículo de transporte não poluente

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Um ananás bem madurinho

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Um animal de estimação multifunções

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Um pôr do sol inesquecível

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publicado por bolaseletras às 11:12

Histórias da carochinha

Segunda-feira, 08.10.18

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Há quem grite ao vento e à pessoa amada que é um livro aberto, que o seu passado é nítido como as águas do rio que corre cristalino e sem percalços, como se quisesse convencer-se a si e ao mundo que a vida não é uma vaga descontrolada que continuamente se estilhaça e reconstrói contra as rochas afiadas que ladeiam o ribeiro tortuoso que é o caminho que todos percorremos. Gente perfeita com passados e presentes impolutos são sonhos de gente que não sabe o que é ser gente, como se os milhares de corpos que se cruzam e fugazmente se olham nas alamedas caóticas da cidade fossem carapaças de aço de robots imunes ao erro, à inveja e à paixão. Somos todos potenciais serial killers, Casanovas ou candidatos a vigários, somos o exemplo humano da fidelidade canina ou intrépidos traidores que não resistem ao cheiro da carne fresca. Somos Yin e Yang, força e fraqueza, passividade mórbida e energia destruidora, somos tudo e nada somos, mas todos temos histórias só nossas, pecados inconfessados e sonhos proibidos. O resto são histórias.

 

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publicado por bolaseletras às 09:44

Acreditar...ou talvez não

Sexta-feira, 28.09.18

  

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Ao contrário da impressão geral, não são as ideias dos outros que nos condicionam o caminho ou nos paralisam os avanços, forçando a recuos ou paragens estratégicas. É a nossa mente, os nossos medos inculcados, as nossas dúvidas ancestrais que nos prendem os movimentos, que nos dizem que o desconhecido é sinónimo de perigo, que tudo o que não consta no nosso cardápio de experiências já vividas pode dar para o torto. Pensamos assim sem pensar que é exactamente o nosso pensamento que nos impede de evoluir. As teias das nossas meninges e sinapses parecem, demasiadas vezes, cristalizadas no tempo assumindo a forma de teias de aranha bafientas e castradoras. Tudo o que pensamos deveria ser objecto de dúvida e de constante interrogação, mas encostamo-nos ao conforto que é obedecermos aos ditames da pessoa de quem mais deveríamos desconfiar, pelo menos enquanto não a questionamos até ao tutano. Vejam lá isso.

 

 

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publicado por bolaseletras às 12:00

Calma - não dar o corpo pela alma

Segunda-feira, 24.09.18

  

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publicado por bolaseletras às 10:51





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