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Obrigado rapazes, é futebol

Terça-feira, 03.07.18

  

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Portugal perdeu, fiquei triste com os meus dois rapazes e com mais 10 milhões, mas a expressão “é futebol” faz-me hoje muito mais sentido do que em muitos fins de jogo do meu passado em que as lágrimas que me queimaram a face odiavam o jogador ou treinador que pronunciava esse fatídico dislate. Jogámos bem, jogámos mal, o treinador fez as escolhas corretas? Não sei sinceramente se isso nos leva a algum lado, mas é esse lado do futebol que faz de todos nós os mais iluminados especialistas de bola do planeta e nos atiça ainda mais a paixão por este fenómeno inexplicável. Senti em todos os jogos que a responsabilidade do título europeu nos tirou ousadia, nos pesou nas pernas, nos impediu de arriscar e de por em campo o talento que ainda vamos tendo e vai brotando nas novas fornadas de miúdos geniais que vamos formando (Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Gélson Martins, etc. e tal). Depois, há a realidade que teimamos em não ver para que esta não embacie o irresistível brilho dos sonhos. Os centrais rijos mas envelhecidos, os médios fiáveis mas avessos a grandes velocidades, os pontas de lança que não existem ou que são ainda demasiado verdes para estas andanças (André Silva e Gonçalo Guedes). É assim a vida, meus amigos, é futebol. Saibamos ser gratos pelo que os nossos rapazes nos fizeram sonhar (ah, Professor Marcelo, você sabe sempre o que dizer, que delícia) e continuemos a debater na nossa cabeça e nas mesas de cafés os jogadores e as tácticas que indubitavelmente nos poderiam ter colocado no topo do mundo mas que o malvado do Engenheiro teimosamente ignorou. É futebol.

 

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publicado por bolaseletras às 12:31

William, Sir William

Quarta-feira, 27.06.18

 

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Foi Bill Shankly quem afirmou que algumas pessoas pensavam que o futebol era um assunto de vida ou de morte e que repudiava essa atitude. Para ele, simplesmente, o futebol era muito mais importante que essas balelas. Baixando um pouco a fasquia, diria que o futebol não é a vida mas imita-a de perto, reproduzindo fielmente as suas glórias e desgraças. São inúmeros os exemplos de grande homens que, embriagados pela fama e pela adulação popular, não resistiram a tal pressão, acabando por cair em desgraça, depressão ou, como comprovado em demasiadas primeiras páginas dos tabloides do costume, em suicídios desesperados. Também no futebol temos casos desses, também no futebol quem ontem estava no topo da montanha facilmente é aquele a quem hoje o insucesso ou a fatalidade de se ser não mais do que um ser humano bate à porta sem aviso prévio e sem pedir licença.

 

Exemplificando, diria que bastará olhar para os desempenhos aflitos das grandes e afamadas seleções mundiais no Mundial da Rússia para percebermos o peso que as expectativas colocam sobre os ombros de 11 jogadores, as repercussões que podem ter no seu desempenho. A Alemanha qualificou-se contra a Suécia sofregamente, marcando um golo aos 95 minutos. A Espanha ganhou sem saber bem como ao Irão, tendo empatado com Marrocos aos 89 minutos. Portugal foi o sofrimento conhecido para assegurar a passagem aos oitavos de final e a Argentina só lá chegou com a bênção do Papa e a genialidade de Messi. Em termos individuais, Neymar, sufocado pela pressão, desfaz-se em lágrimas quando marca um golo, o semblante de Messi é de profunda angústia antes de cada jogo. Maradona, o maior de todos dentro de campo nunca conseguiu viver verdadeiramente fora dele, neste campo estéril de golos, piques e magia em que já não é a estrela mais reluzente.

 

Depois temos outro tipo de gente, de outra fibra. Mais que todos, Cristiano Ronaldo, o homem que olha o medo e a angústia nos olhos, se ri deles e, se necessário, marca 3 golos aos campeões do mundo para não deixar 10 milhões desamparados. Sobre CR7 haveria tanto para dizer que nem vale a pena dizer mais nada. Outro exemplar de fibra e perseverança é William Carvalho, o novo case study nacional. O novo patinho feio da selecção - um exemplo perfeito de como o amante do futebol pode desconhecer tão profundamente o futebol e mesmo assim amá-lo – um rapaz que depois do furacão que foi nos últimos meses a sua relação com o clube do seu coração, que agora é atacado por tanta gente, continua a fazer o que tão bem sabe, como se o seu futebol cristalino e os seus passes de algodão criassem em volta de si uma cápsula à prova de tempestades. Sem correr como o Usain Bolt, pensa e executa mais rápido que todos os outros, antecipando tudo o que os adversários ainda sonham que irão fazer, fazendo girar a equipa, gerindo e controlando os ritmos de jogo como mais convém à equipa e à fase específica que o jogo atravessa, a maior parte das vezes fazendo-o com tamanha simplicidade que compreender tudo isso é demasiado complicado para o comum dos mortais.

 

E sabem que mais? GANHAR, CARAGO!

 

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publicado por bolaseletras às 14:14

Bora lá, malta!

Quinta-feira, 21.06.18

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Terminado o jogo contra Marrocos, fica na boca e na pele ainda suada de tantos sobressaltos e picos cardíacos o sabor amargo e o frio ácido de quem se safou não se sabe bem como. O resultado foi excelente, a exibição a roçar o medíocre, mas os sinais que retiro do jogo são muito positivos. Vejamos:

- Bem ao contrário do que estamos habituados neste universo tão específico da bola, após o jogo os protagonistas lusitanos, do treinador aos jogadores, foram unânimes em considerar que, independentemente do óptimo resultado, a exibição foi muito fraca e há que obrigatoriamente melhorar o rendimento individual e colectivo. Olhar para dentro de si e do grupo é sinal de inteligência e maturidade, tenhamos esperança que a introspecção traga benefícios à exteriorização com a bola no pé.

- O peso da responsabilidade parece estar a sufocar a capacidade de muitos dos jogadores. É importante que os jogadores sintam que os seus feitos recentes lhes puseram às costas o peso do sucesso, resta agora saber lidar com isso e virar o bico ao prego, isto é, o peso do seu sucesso deve sair-lhes do lombo e ser colocado em cima dos adversários. Como? Mostrando em campo porque ganhámos o europeu, fazendo com que nos temam verdadeiramente.

- Ronaldo. Este é o torneio de Ronaldo e ele sabe-o como ninguém. Alguém acredita que este monstro de motivação e ambição deixe a equipa soçobrar face ao Irão, por mais lutadora que seja a equipa tão bem comandada por Carlos Queiroz? Até pode haver quem acredite que corremos o risco de ser eliminados, mas Ronaldo não será certamente essa pessoa.

- Fernando Santos, o nosso Engenheiro. Melhor que ninguém ele já diagnosticou o que está a prender o talento dos nossos jogadores. Tem falado bastante para fora, picando os jogadores e criticando as exibições da equipa, mas acredito que sabe bem o efeito que isso terá nos jogadores, como acredito que internamente irá encontrar a chave para libertar as pernas presas e as mentes bloqueadas.

 

Malta, vocês não são os melhores do mundo (Ok, só um de vocês), mas vocês juntos, como equipa, podem valer mais do que cada um por si, podem ser a melhor equipa do mundo. Vamos a eles, carago!

 

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publicado por bolaseletras às 09:58

Um cheirinho de mundial

Segunda-feira, 18.06.18

  

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Com alguma tristeza minha não tenho escrito sobre o Mundial que nos alegra os dias e abrilhanta a alma. Parece uma parvoíce dizer isto, dirão muitas esposas e namoradas desprezadas e abandonadas nestes 30 dias (são 30 dias em 4 anos, senhoras, calma!), mas a verdade é que a falta de tempo obriga-me a aproveitar os poucos tempos livres que tenho para ver e beber jogos, para me deliciar com as análise do “The Guardian” e de outros media que adoram e sabem falar sobre futebol. Se tivesse que fazer um resumo da coisa, em poucas palavras, que frases ou palavras chave usaria? Deixa cá fazer um pequeno exercício:

- É sempre bom quando nos poupamos à discussão sobre quem é o melhor do mundo logo no primeiro jogo entre dois candidatos. Cristiano, filho, como queres tu que os ingratos dos espanhóis não te odeiem?

- É certo e sabido que os alemães nunca se deram bem na Rússia.

- Li algures, com muita piada e ainda mais razão, que uma mão cheia de portugueses iriam ficar divididos a assistir ao Brasil-Suiça. É o que dá ter muito dinheiro guardado na Suiça e estar em vias de fugir para o Brasil.

- Rui, William, Gélson, Bruno…porque é que tentaram que o meu fervor pela selecção arrefecesse? Boa tentativa mas não conseguiram. Não consigo desejar-vos mal, longe disso, mas tenho tanta pena que não fossem um bocadinho mais resistentes. Grandes jogadores serão sempre recordados, mas só aqueles que aliam à arte a coragem e a fidelidade acima de toda a prova ficarão na história e nos nossos corações.

- E quanto aos prognósticos para a nossa selecção? Eu com o nosso Engenheiro acredito em tudo. Juntando a isso a fome descontrolada do nosso Cris direi que, não tendo que enfrentar a Islândia, está tudo nas nossas mãos. Força rapazes, ganhar!

 

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publicado por bolaseletras às 14:54





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