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Seinfeld - Das dúvidas sobre os desejos de boa vizinhança

Quarta-feira, 21.03.12

 

 

Kramer – Olha, preciso de uma fotografia tua.

Jerry – Para quê?

K. – Pus a fotografia de todos na entrada do prédio.

J. – Porquê?

K. – Para que todos saibam o nome de todos. As pessoas vão dar-se muito mais.

J. – Não quero ter a fotografia na entrada do prédio!

K. – Imagina encontrares alguém e dizeres: “Olá Carl!”, e ele responder “Olá Jerry!”. Esse é o tipo de sociedade onde quero viver.

J. – Não quero parar para falar sempre que entrar no prédio. Só quero acenar e seguir o meu caminho.

 

Este diálogo não permite vislumbrar o humor tonitruante da conversa televisiva entre Jerry e Cosmo Kramer, essa inesquecível figura. Aqui, a voz, a acentuação e a flutuação no volume das palavras é a dona do humor, mais do que o conteúdo em si. Ainda assim, este diálogo revela na perfeição aquela que é uma das principais fontes de humor nonsense – mostrar que muito daquilo que desejamos não o desejamos no fundo mas ainda não fomos capazes de usar o cérebro para o perceber. Depois desta troca de argumentos em que Jerry expõe o seu repúdio para com a possibilidade de estreitar os laços de vizinhança, o episódio mostra-nos um Jerry a ser osculado todos os dias pelas velhotas do prédio, a ter conversas da treta com vizinhos entediantes. Jerry sabia bem o que não queria, numa primeira visão da questão. Farto dos ósculos e das palavras mal gastas, informa os vizinhos que os beijos e as conversas acabavam, “nothing personal”, como ele refere. O resultado é que passa a ser ostracizado no prédio e termina o episódio a implorar por beijos e palavras vazias dos vizinhos. Kramer, na sua loucura, é quem de facto sabia bem o que queria e torna-se o ídolo do prédio.

 

E nós? Sabemos de facto o que queremos quando nos queixamos do mundo frio e cruel em que vivemos, quando lamentamos o facto de já ninguém conhecer os vizinhos, já ninguém saber o nome da velhota do 5.º D? Mas queremos mesmo conhecer a história de vida do velhote do 3.º F que vive sozinho, tem um sorriso simpático mas parece tão triste? É nosso anseio profundo tratar pelo nome o emproado do 1.º A? Estamos dispostos a oscular e apertar a mão a toda esta gente? Sabemos de facto o que queremos ou falta-nos uma dose de loucura Krameriana para de facto sabermos o que queremos da vida e, já agora, dos vizinhos?

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publicado por bolaseletras às 21:09

Seinfeld - do humor e das lealdades desportivas

Segunda-feira, 12.03.12

 

 

“A lealdade para com a equipa desportiva de cada um é bastante difícil de justificar, já que os jogadores estão sempre a mudar. Uma pessoa está é a apegar-se a um equipamento, bem vistas as coisas. Estamos ali a torcer e a gritar para que o nosso equipamento vença o equipamento de outra cidade. Os adeptos são loucos por um jogador mas se ele muda para outra equipa, é vaidado. É o mesmo ser humano com outra camisola, mas, agora, odeiam-no. Uuuuhhhhh!!! Outra t-shirt? Uuuhhhhh!!!”.

 

Fazer humor, das artes mais difíceis à face da terra, é o trabalho de Hércules de Seinfeld. Como aferir se o resultado dessa arte é conseguido ou não, that is the question. O que nos faz rir, que tipo de humor fica para a história, que gags imortalizam uma série de humor? Eu diria que o que faz rir pessoas inteligentes passará sempre pelo desvendar do ridículo que existe em grande parte do que fazemos, das nossas crenças e ideias feitas, tudo com aquele toque de simplicidade desarmante que de tão simples nunca nos apercebemos. Este trecho de Seinfeld desarmadilha todos os anteriores posts e comentários sobre futebol, guerrilhas clubísticas e afins. Andamos a adorar camisolas às riscas, t-shirts ilustradas por aves de má fama, etc. e tal. Quando percebermos que somos dum clube por uma qualquer casualidade, pela necessidade tão humana e tão natural de nos juntarmos a uma fé e a um qualquer grupo, talvez deixemos de perder tanto tempo com a bola. Eu ainda não percebi, mas um dia chego lá, provavelmente com uma mãozinha do Jerry Seinfeld.

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publicado por bolaseletras às 18:03

Seinfeld

Segunda-feira, 05.03.12

 

 

Qual será a receita de sucesso de uma série de humor? Para mim é simples como pão com manteiga: personagens inesquecíveis, de preferência marcadas por esterótipos que vemos todos os dias e que todos os dias nos fazem sorrir, abanar a cabeça ou gargalhar de incredulidade. Personagens afundadas nas fragilidades que a condição humana teve a desumanidade de lhes marcar na pele com ferro em brasa. O humor mais irresistível é o mais simples - aquele dos bancos de um enfadonho transporte público, do café antes do trabalho, das caras fechadas no elevador, basicamente o que se entranha e confunde com o ridículo da nossa existência. Falo de Jerry Seinfeld, de George Costanza, de Elaine, do inimitável Cosmo Kramer, do carteiro Newman. Sempre que revisitar episódios desta série intemporal procurarei retirar uma pérola para aqui trazer. Porque rir de nós próprios é essencial.

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publicado por bolaseletras às 18:22





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