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Nina Simone - Ain't Got No, I Got Life

Sexta-feira, 06.12.19

 

Ain't got no home, ain't got no shoes
Ain't got no money, ain't got no class

Ain't got no skirts, ain't got no sweaters
Ain't got no perfume, ain't got no love
Ain't got no faith
Ain't got no culture
Ain't got no mother, ain't got no father

Ain't got no brother, ain't got no children
Ain't got no aunts, ain't got no uncles
Ain't got no love, ain't got no mind
Ain't got no country, ain't got no schooling
Ain't got no friends, ain't got no nothing

Ain't got no water, ain't got no air
Ain't got no smokes, ain't got no chicken
Ain't got no...
Ain't got no water
Ain't got no love

Ain't got no air
Ain't got no God
Ain't got no wine
Ain't got no money

Ain't got no faith
Ain't got no God
Ain't got no love
Then what have I got
Why am I alive anyway?
Yeah, hell
What have I got
Nobody can take away

I got my hair, got my head
Got my brains, got my ears
Got my eyes, got my nose

Got my mouth
I got my...

I got myself
I got my arms, got my hands
Got my fingers, got my legs
Got my feet, got my toes
Got my liver
Got my blood
I've got life
I've got lives

I've got headaches, and toothaches
And bad times too like you
I got my hair, got my head

Got my brains, got my ears
Got my eyes, got my nose

Got my mouth
I got my smile
I got my tongue, got my chin
Got my neck, got my boobs
Got my heart, got my soul
Got my back
I got my sex
I got my arms, got my hands
Got my fingers, got my legs
Got my feet, got my toes
Got my liver
Got my blood
I've got life
I've got my freedom
Ohhh
I've got life!

 

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publicado por bolaseletras às 09:47

Black fucking friday!

Sexta-feira, 29.11.19

black-friday-4[1].jpg

 

Corre pula grita, transpira por entre os teus pares, empurra, gira, geme, ressuscita por entre a pilha de roupa gloriosamente empunhando aquela blusa de cetim a preço da chuva, esquece a lama e o frio enquanto anseias que as portas se descerrem e te entreguem ao paraíso, suporta o calor sufocante e fétido da avidez global, pensa na alegria dos petizes com a nova PS€€€, grita de alegria e de raiva, vocifera por entre as hienas famintas, chora se necessário, encerra o dia apenas e só quando as cortinas da volúpia gananciosa descerem em definitivo. Deita os miúdos, arruma o que resta da interminável guerra diária e familiar no palco da tua querida cozinha, desmaia no sofá ao lado do teu mais que tudo, luta contra ti própria e o viciante cansaço em busca de mais um inesquecível episódio da série da moda antes de babares a almofada, sonha com mais um dia irrepetível, martela mais um prego no caixão.

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publicado por bolaseletras às 10:03

Formiguinha, formiguinha...é isto que buscas para a tua vida?

Quinta-feira, 21.11.19

infancia.jpg

 

O Bolas não morreu, o Bolas nunca morrerá, pois viverá sempre nos nossos corações. Adoro clichés bacocos, não tanto quando adoro que me digam que têm saudades do Bolas. Sim, a puta da falta de tempo, sim, o trabalho perdido por entre urgências várias, sufocado por entre a voracidade das necessidades que se multiplicam como parasitas incómodos nos cabelos do meu desgraçado filho, contaminado por crianças a quem os pais não tiveram tempo de aplicar o shampoo anti-piolhos, porque a voracidade dos seus dias não lhes permite aquela meia hora de pausa em que o shampoo faz o seu mortífero trabalho. Corremos incessantemente, dedilhamos e-mails nervosos e repletos de gralhas, a perfeição já foi, hoje é a velocidade que conta, a sede de dados e inputs, reportes e pontos de situação, todo esse emaranhado de dados desconexos que nunca alcançarão o estatuto de informação hão-de satisfazer alguém, uma eminência impecavelmente engravatada na sua torre de marfim onde o sexo dos anjos não se discute, alguém que pensará que o seu dia foi imensamente produtivo, mesmo que nada de digno seja produzido pelas suas formiguinhas hiperativas. A imagem que encima este post de saudades dos tempos em que o Bolas de quando em vez tinha tempo para respirar é da cidade de Norilsk, na Rússia, fundada em 1935 como um gulag, situada a cerca de 240 km a norte do círculo polar ártico. O tempo parado, a doce indolência das crianças. Pergunto-me se as crianças terão de emigrar para Norilsk para terem tempo de ser crianças. É isto que queremos para nós e para os nossos filhos?

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publicado por bolaseletras às 17:18

Amor à primeira vista

Terça-feira, 03.09.19

 

moan.jpg

Há aqueles dias, semanas, meses, em que um tipo deixa de ter algo interessante para dizer. Está-se tão embrenhado na vida que só se executa, anda para a frente, fecha dossiers, desenrola projectos, acorda putos, deita putos, monta móvel do Ikea, enche a bagageira até ao limite, despeja as malas para o velho casulo, lava a loiça, seca a loiça, zapping, mais zapping, a merda do Sporting que caminha em círculos infinitos de incompetência e imaturidade, a política nacional nas mãos do mestre da táctica, a política lá fora nas mãos de loucos furiosos ou de ursinhos fofinhos, o diabo a sete. Um gajo vai a ver e o que interessa é mesmo isto. A primeira vez que os lábios se encontram...

 

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publicado por bolaseletras às 12:25

A busca incessante

Quarta-feira, 31.10.18

 

busca.jpg

 

Chuva. Pesada e insistente. O frio que regressa. Os dois putos no carro a caminho da escola, ainda ensonados, como que sonâmbulos a caminho de um qualquer cadafalso. O barulho da chuva, o trânsito, o céu cinzento escuro. O Francisco, 6 aninhos, parece, lentamente, despertar do seu torpor:

- Pai, porque é que existimos?

A meio das reviengas na rotunda do relógio, mais concentrado em não estragar a chapa do que em atingir a profundidade do Francisquinho, levo uns bons 20 segundos para responder:

- Há quem diga que foi Deus que criou o mundo e os homens, Francisco.

O Miguel, 9 anos e mais dado às filosofias terrenas, contrapõe:

- Não não, foi o big bang!

O Francisco, eternamente insatisfeito com as explicações para os porquês da vida, clarifica:

- Não é como é que existimos, é porque é que existimos?

Mau…mais 20, 30 segundos, e tento uma escapatória:

- Se calhar existimos para ser felizes e ajudar outras pessoas de quem gostamos a ser felizes, Francisco. O que achas?

- Sim, talvez pai!

Desta vez é o Miguel que fica insatisfeito:

- Hum, não sei pai, não sei se é bem por isso.

Antes de fechar o debate teológico com mais uma música do Agir que os traga de volta à simplicidade da música simples, fecho a questão deixando-a em aberto:

- Não penses muito nisso, Miguel, boa parte das pessoas morrem sem descobrir a resposta a essa questão. E olha, muitas morrem felizes, mesmo sem o ter descoberto a tempo.

 

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publicado por bolaseletras às 15:25

Disfrutai do fim de semana, boa e nobre gente

Sexta-feira, 19.10.18

 

live.jpg

 

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publicado por bolaseletras às 16:40

O carrossel

Quinta-feira, 11.10.18

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Gira que gira e volta a girar.

 

Creio que esta era uma lengalenga entoada nos idos da infância, provavelmente a acompanhar a dança do pião de madeira, embalado pela corda suja e coçada dos nossos sonhos. Éramos felizes como jamais o voltámos a ser e pouco interessa se o sabíamos ou não, pensar nisso era um absurdo visto aos olhos de crianças sorridentes e de joelhos esfolados, era uma perda de tempo, apenas mais uma parvoíce aborrecida do mundo dos adultos. A lenta valsa do pião, naqueles vagarosos segundos que antecipavam a sua inevitável queda por terra, era um vislumbre nebuloso da tristeza que ainda não conhecíamos. Arrumávamos o pião no bolso do fato de treino e rumávamos aos casulos onde a alcatifa já não cheirava a relva, onde os joelhos já não se esfolavam no mar de risos dos nossos amigos. Vinha o banho e a pele enjoativamente cheirosa, o jantar invariavelmente a contragosto, os trabalhos de casa sem necessidade de qualificativos, os traumáticos deveres que diziam ser as ferramentas do nosso futuro, daquele futuro que hoje conhecemos e que sabe a saudade e a desperdício.

 

O carrossel de ontem, de corridas sem fim, saltos e gargalhadas, é hoje o passo esbaforido e exausto para impedir que mais uma porta do autocarro se feche nas trombas dos nossos sonhos. Os saudosos gritos estridentes de alegria pura e descontrolada são hoje as buzinas irritadas e chorosas que temperam o túnel de alcatrão gasto e de prédios tristes, a rua dos nossos pesadelos.

 

Não, a vida não é assim tão triste quando abandonamos a criança que fomos. Não é? Será que a vivemos com uma réstia do brilho da nossa infância? Será que percebemos que é aí que estará a nossa salvação, o Santo Graal da felicidade? Vejam lá isso.

 

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publicado por bolaseletras às 14:30

Voltar?

Quarta-feira, 19.09.18

 

regresso a casa.jpg

 

Nunca voltar a um sítio onde se foi feliz ou voltar sempre, insistentemente, convicto de que a receita original poderá eternamente ser repetida? A vida muda-nos mas o que nos mudou poderá ser fonte de renovada evolução? E será que mudar estará sempre mais próximo do que nos torna um pouco mais felizes? E mudar é evoluir? Não haverá um ponto em que irmos para lá do que somos e de onde estamos, essa insatisfação constante, essa interminável busca de melhor mais não é do que sinónimo de inadaptação, de incapacidade para disfrutarmos do que temos e do que somos? Porque perdemos nós tempo a pensar em todos estes irresolúveis dilemas e simplesmente não nos limitamos a ser e a estar, ao sabor da maré, seja ela forte ou calma como um mar morto e terno?

 

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publicado por bolaseletras às 10:03

A sombra

Terça-feira, 24.07.18

  

exploration.jpg

 Fotografia por Thomas Holm, "Exploration"

 

A vida passava sem se dar por ela, como um riacho contínuo, monótono, sem o rasgo das rochas escarpadas a cruzar-lhe o calmo e silencioso percurso. As descobertas há muito pertenciam a um passado longínquo, estava no meio da vida e a ausência de novas experiências, sobressaltos ou admiráveis imprevistos faziam-na sentir não haver mais para onde ir, que o caminho que restava se resumia a consecutivos e repetitivos círculos, que a sua vida era uma perfeita bola de cristal onde já nem o sexo dos anjos se discutia.

Foi então que, numa bela manhã de sol (não, foi numa manhã cinzenta e fria, mas não há histórias bonitas que comecem com manhãs cinzentas e frias) vislumbrou uma sombra de si e decidiu que queria conhecer melhor essa sombra, o que se escondia para lá de si e daquele mar morto de certezas e objetivos alcançados, queria cheirar os seus recantos não tão perfumados, desejava, agora sim, ardentemente, testar a dor, o prazer, a alegria que o seu corpo e a sua alma conseguiriam experienciar, ansiava conhecer-se muito para além do que se permitira até ao despertar daquela manhã, cinzenta e fria e, ainda assim, tão bela.

 

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publicado por bolaseletras às 15:18

O feitiço do vento

Quarta-feira, 18.07.18

  

z_calor_barquinho.jpg

 

Passava pela vida sem dono nem rumo, mesmo que, aparentemente, atracasse temporariamente num determinado porto. Sempre que se demorava um pouco mais nas enseadas dos seus desejos o vento, tímido, mas insistente, soprava-lhe ao coração uma canção triste e misteriosa. A melodia, como uma feitiçaria do desencanto, guiava-a de novo ao mar sem fim e sem dono, tomada por uma necessidade férrea e dolorosa de cessar aquele cântico viciante e demoníaco. Ao contrário de muitos dos insondáveis mistérios da vida, um dia, num certo porto, percebeu finalmente o enigma que tanto a atormentara. A música jamais a abandonaria, o que lhe faltara até então era quem a percebesse com ela, quem mergulhasse no mistério da sua vida e sugasse até ao tutano todos os silêncios que a outrora demoníaca melodia lhe adormecia na alma.

 

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publicado por bolaseletras às 16:34





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