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Vê lá isso, João

Terça-feira, 11.06.19

 

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“Deem-nos alguma coisa em que acreditar”, clamou o jornalista, comentador, cidadão João Miguel Tavares num debatido discurso de mais um esperançoso feriado do 10 de Junho. Para além desse pedido lancinante de quem sente a sua pátria desesperançada, o João falou ainda da necessidade dos políticos nos verem para além da fonte de receitas que somos, nós, meros porquinhos mealheiros processadores de IRS´s, IVA´s, taxas e taxinhas. Aprecio e subscrevo as palavras do João, mas como outros comentadores já enfatizaram estas são palavras, leves como as folhas que o vento leva, nada mais que palavras, apesar de genericamente bondosas e politicamente necessárias.

 

Todos - tirando casos patológicos – desejamos a paz no mundo e o fim da fome em África. Todos ansiamos por um país sem corrupção, em que o leque de oportunidades se abra de igual modo independentemente da proveniência social das pessoas Todos podemos escrever belas e inspiradoras palavras sobre esses nossos lacrimosos anseios, quiçá sem a arte e a verve do João, mas ainda assim podemos escrever, escrever e escrever. Fica por fazer o que interessa, lá está, fazer, agir, dar sugestões concretas de soluções exequíveis, originais, que nos desafiem a nós e ao marasmo da nossa política e dos nossos pensadores/comentadeiros políticos. Não quero que o João diga à Justiça como acabar com a corrupção – creio que não terá o know how para tal -, bastar-me-á que o nobre escriba, na sua área de especialidade, nos diga como pode o quarto poder ser mais incisivo na avaliação de políticas que em nada contribuem para esses altos desígnios, que nos ajude a perceber como pode a investigação jornalística dar-nos a conhecer o que é feito nas mais diversas áreas, nos mais diversos países para que essas áreas e esses países façam de quem delas beneficia, dos seus cidadãos, gente orgulhosa de o ser e de aí viver. Já agora, o João e os seus patriotas colegas e comentadeiros, que tanto gostam de bater no peito e de fazer ribombar a força das palavras nos nossos já tão massacrados ouvidos, que nos digam, melhor, que façam com que o jornalismo cumpra o seu papel e ajude a fazer deste cantinho à beira mar plantado um país do qual nos possamos orgulhar. Para floreados e grinaldas de palavras e boas intenções já demos o que tínhamos a dar, obrigadinho.

 

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publicado por bolaseletras às 14:26

É todos os dias e não apenas quando o homem quiser

Sexta-feira, 08.03.19

 

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Hoje de manhã ouvi na rádio uma mulher forte - como todas as mulheres o são, mesmo que não mostrem, mesmo que alguém não permita que elas revelem toda a sua indomável força – que o feminismo mais não é que lutar por direitos e deveres iguais para homens e mulheres. Comentando isso com outra mulher igualmente forte - uma mulher extraordinária que sempre derrubou todos aqueles que lhe queriam derrubar essa força – dizia-me ela que a irritava sobremaneira aquelas mulheres que davam mau nome à causa e ao género dizendo que não queriam nada disso, que queriam continuar a usar saias e a ter o direito de vestir as suas filhas de cor de rosa. Eu, como não quero meter a foice em seara alheia, digo apenas que este dia serve sobretudo para nos lembrar a vergonha que é termos que assinalar um dia que deveria ser, naturalmente, todos os dias. Ainda assim, deixo aqui uma singela mensagem lida num qualquer mural de um qualquer instagramer que bem parece saber o valor da mais bela flor da criação:

 

Feliz dia da mulher

 

A força que brota

do seu coração

faz nascer o sol

na vida daqueles

que te rodeiam

 

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publicado por bolaseletras às 11:27

Juizinho é o que nos falta

Sexta-feira, 31.08.18

 

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Um dos maiores dramas da vida moderna é passar pelo tormento de uma máquina de lavar roupa avariada. É a roupa que se acumula, é a garantia que não resolve o problema no imediato, é o canalizador que nunca tem tempo para aparecer, é a roupa a acumular no cesto e a desaparecer das gavetas. Como qualquer tarefa pendente que se eterniza, percebemos que no futuro a coisa só vai piorar, pois a pilha de roupa que cresceu nos dias anteriores irá inapelavelmente distribuir-se pelos cinzentos dias que se avizinham. Sim, há a fome em África e o drama da Venezuela, mas teimamos em ser umas bestas que não sabemos relativizar os nossos dramaszinhos mundanos. Tenhamos juízo.

 

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publicado por bolaseletras às 16:41

A rede, a sua omnipresença e a sua ausência

Segunda-feira, 11.06.18

 

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Se há prova cabal de que as redes sociais podem, se mal e desmedidamente utilizadas, constituir um perigo efetivo para a civilização, Bruno de Carvalho e Donald Trump são o espelho dessa indesmentível e lamentável asserção. Entre o imediatismo da raiva e a imparável pulsão dos impulsos poluentes que em segundos lhes passa dos fracos cérebros para os ágeis dedos e daí para o mundo através das redes que nos asfixiam e subjugam, medeiam escassos e macabros segundos. Não há conselheiros e assessores de imprensa que consigam domar a volúpia do exercício desbragado e sem rédeas do poder. A rede que nos une é aquela que não nos protegerá quando cairmos do sétimo andar do poder e nos estatelarmos, sós e desprotegidos, na calçada fria e inclemente de um mundo sem tempo para pensar, respirar e domar a voracidade infalível do ódio. Vejam lá isso.

 

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publicado por bolaseletras às 12:40

Ao cuidado de muito boa gente preocupada consigo própria

Segunda-feira, 04.06.18

 

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publicado por bolaseletras às 14:32

Sentemo-nos e falemos de nós

Sexta-feira, 11.05.18

 

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Creio que olhares e mentes mais atentas já terão reparado que este blog tem-se afastado, cada vez mais, dos assuntos do dia a dia da nação, das alegrias e euforias (ah, o turismo, ah a Eurovisão, que excitação, que orgulho) e das misérias profundas de um país que tarda em sentar-se numa qualquer cadeira que o obrigue a parar, a olhar para si mesmo, com vontade real de se conhecer, de colocar o dedo bem fundo na podridão das suas feridas tumorosas e, quem sabe, talvez um dia, começar esse longo e doloroso processo de quimioterapia grupal que, como em tudo, começa em cada um de nós para podermos aspirar a um tratamento da sociedade em si mesma. São muitos os nossos males? Minhas queridas amigas, meus caros amigos, falamos de um país onde cada vez que levantamos uma pedra descobrimos um bastião do nosso tecido económico ou empresarial corruptor, um representante da nação corrompido (isto, mesmo com uma comunicação social grandemente controlada ou amordaçada pelos poderes fácticos), um país que revela, ano após ano, uma incapacidade revoltante de proteger a sua alma, a matéria de que é feito, a sua terra, as suas árvores, as suas florestas e aqueles que habitam no seu interior. Um país que ama o futebol e que o entregou a salafrários, a medíocres que apenas buscam promoção ou protecção sob a enorme cúpula branqueadora dessa paixão. Falamos de um país que empurra para fora os seus melhores, para países que não amam como o seu, o nosso, por falta de organização, de visão, de vontade de fazer melhor e propiciar o melhor aos melhores para assim chegar mais longe. Falamos de um país à espera do verdadeiro 25 de abril, aquele que lhe trará a verdadeira liberdade: a liberdade de criar e crescer sem grilhetas, sem barreiras burocráticas, sem o peso asfixiante de impostos que alimentam um monstro que já só come porque nada mais sabe fazer. Falamos de um país maravilhoso – porque raio não conseguimos estar à altura dele? Vejam lá isso, minha gente.

 

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publicado por bolaseletras às 10:36

Um mundo belo nas mãos de gente estranha

Sexta-feira, 27.04.18

 

Vivemos num mundo estranhamente belo. As flores sobrevivem ao caos em forma de betão, a arte humana assume as mais estrambólicas formas. Não conseguimos apreciar a quietude dos prados, beber a água fresca do rio que corre imperturbável. Por isso transformamos tudo o que nos rodeia. Para que o silêncio não nos perturbe.

  

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publicado por bolaseletras às 09:45

86-60-86

Quarta-feira, 11.04.18

 

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Uma amiga linda e felizmente afastada das medidas supostamente perfeitas publicou esta foto por território facebookiano, acompanhada do bem lusitano “Pimbas! Vai buscar!”. Outro amigo, mais dado a outras artes circenses comentou “Pois claro. Cheirava bem? Isso nunca ninguém diz!”. Há momentos em que se pode amar o facebook.

 

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publicado por bolaseletras às 15:15

Roma

Quarta-feira, 04.04.18

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Roma, museu a céu aberto, teatro das memórias da civilização, é um paraíso nas mãos de humanos enlouquecidos, essa espécie a quem chamam de turistas. Os romanos, como os parisienses, tresandam arrogância pelo facto de se julgarem superiores por viverem numa das mais belas cidades do mundo. Estão fartos de turistas, desprezam-nos, e não vêm necessidade de os tratar bem para os atrair, pois por um desistente na fila logo a seguir virão milhares de ansiosos candidatos. É de facto triste que os romanos olhem para os visitantes como meras fontes de receita. As indicações para auxílio ao turista são inexistentes (bendita Internet), alguns restaurantes aplicam sem prévio aviso taxas de serviço à vontade do patrão, outros taxistas pretendem cobrar 50 euros de viagem até ao aeroporto quando na porta do táxi têm escrita a tarifa fixa de 30 euros.

  

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Esquecidas as tristezas (r)humanas e o constante enxame de gente em qualquer recanto da cidade, ficam as memórias, as fotografias, a alegria da descoberta de um mundo novo pelos filhotes. Nas imagens que aqui deixo para a posteridade, fica o impactante coliseu, na sua eternidade que perdura há quase 1950 anos, destacando como imagem a guardar um jogo de voleibol disputado às suas portas, em que rapazes de Bogotá (?), talvez de Quito (?) disputavam o jogo mais importante das suas vidas. Sangue, suor, insultos, ameaças, a sede de ganhar em todo o seu esplendor, talvez a sua vingança por não conseguirem vencer na terra mãe e terem que viver à sombra do monstro civilizacional.

 

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O Vaticano, claro, e as gaivotas que nos fixam imóveis, confiantes de que o espírito santo vive em todos nós, como se a maldade nunca nos tivesse tocado. O Vaticano, tanto brilho, tanto ouro, tanto mármore, tanta perfeição, mas a imagem que fica é o contraste das cadeiras velhas e empilhadas que serviram para a glorificação do Papa pelo povo, o povo temente, adorador e mal sentado. Quantos milhares de crianças poderiam ter sobrevivido à fome se os pães tivessem sido transformados em mais pães e não em mais ouro?

  

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publicado por bolaseletras às 12:37

O assobio

Quinta-feira, 29.03.18

 

  

Berlim, 1957.jpg

Berlim, 1957, por René Burri

 

Pouco mais que sombras pouco menos que gente

seres que levitam na escassez de peso e de existência

batimentos inertes em dúvidas

submersas na certeza da sua trémula opacidade.

 

O assobio que se escuta nas escadas cinzento metálico

não é o de uma alegria quente

expectável

de quem está vivo

de quem tem a possibilidade de amar

é apenas o vento frio que confronta as brechas envelhecidas

do ferro e das gentes

na esperança vã de que alguém recorde como é assobiar.

 

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publicado por bolaseletras às 09:51





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