Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Mensagem às hostes leoninas (Sporting 0 - Paços de Ferreira 1)
Hoje, depois de ter assistido pela televisão a um jogo em que os supostos adeptos do Sporting insistiram em assobiar a equipa sempre que ela precisou do seu apoio, era sobre isso que me apetecia escrever. Era sobre a triste diferença entre o público inglês que vai aos estádios para vibrar com a sua equipa, que retira prazer em cantar, gritar e sofrer pelas suas cores mesmo quando esta perde ou está no fundo da tabela (creio mesmo que é nestas situações que eles mais gritam) que me apetecia escrever. Pretendia também abordar as características de um povo, não só o leonino, que age como um abutre quando o seu país ou o seu clube deambula moribundo, parecendo que desde sempre esperou por esse momento para lhe desferir o golpe fatal. Cobardia? Falta de carácter? Sadismo revanchista e oportunista?
Era sobre isso que me apetecia escrever, sobre a tristeza de povo que tantas vezes somos. Godinho Lopes é uma perigosa e insana anedota? Sim, é inequívoco, agrupemo-nos então e organize-se um movimento em condições para correr com o homem, mas não se retire o apoio à base da nossa paixão. Freddy Vercauteren já provou que não é solução? Sem dúvida, há dezenas de treinadores portugueses melhores que ele (Jesualdo será um deles, Domingos que já brilha em Espanha outro), mas não abandonemos os jogadores à sua incompetência, entreguemos-lhes a nossa paixão em forma de gritos de apoio. Muitos dos rapazes parecem ter perdido o jeito e a garra? Talvez, mas enquanto forem eles a envergar as nossas cores dentro do campo o nosso amor ao Sporting (se for mesmo amor) obriga-nos a defendê-los e apoiá-los. Podemos criticá-los, exigir-lhes mais, mas não podemos virar-lhes as costas. Sejam leões e não abutres. Sejam homens nas horas difíceis.
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Rio Ave 3 - Sporting 0 (e a culpa sempre solteira)
Ponto prévio – provavelmente mesmo que o Eric Dier não tivesse sido expulso perderíamos o jogo, tal a falta de qualidade, de confiança e de ambição demonstrada pela equipa. Não obstante, é necessário perceber que uma falta como a que o Eric cometeu nunca daria expulsão se cometida por um jogador do Benfica e do Porto. Os árbitros e as instituições perderam-nos o respeito, pelo que de nada servirá recuperar o futebol do Sporting se o nosso estatuto continuar a ser desrespeitado por quem manda no futebol e nos árbitros.
Quanto ao jogo…meu Deus, que dizer? Que caso não existisse Patrício teríamos levado 6 ou 7, que o Ricardo Esgaio é uma óptima aposta que como outros jovens irá ser queimado na fogueira deste grupo desmembrado e sobre brasas, que é por termos comprado ao desbarato jogadores sem carácter como Elias (está infeliz porque não ganha títulos, e o que fez esse filho da mãe para ganhar títulos???) que chegámos aqui. E que passos deu esta direcção para resolver isto? Contratou um treinador para o treinador o que só tem a vantagem de diluir responsabilidades (vantagem para aqueles que deveriam ser escrutinados, claro está). Estes pulhas, estes betinhos impreparados deram cabo do clube. O resto é conversa.
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Sporting 1 - Braga 0
Um grande clube sabe quais são os momentos em que não pode deixar de ser grande e de se superar. Os nossos jogadores encarnaram bem o seu papel, souberam honrar a camisola, sofrer até ao limite, souberam merecer a sorte. Patrício arrisca-se a bater o recorde de milagres de uma época, Wolfs afia as garras de confiança, Elias melhora com a insistência nele, Xandão supera-se com um pano a impedir-lhe o cérebro de divagar, Eric Dier sublinha o que deve ser o cerne do Sporting: jovens cheios de garra, personalidade e muita qualidade. Vercauteren está a saber mexer com a equipa anímica e tacticamente. Força Sporting, parabéns rapazes!
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V. Setúbal 2 - Sporting 1
Ponto prévio 1 – Considero esta Direcção do Sporting um fiasco, a sua estratégia um misto de patetice e desnorte, mas este continua a ser o meu clube.
Ponto prévio 2 – Até prova em contrário (do género de uma demonstração inequívoca de incompetência) Franky Vercauteren é o meu treinador e apoio-o, porque é ele que está à frente do meu Sporting.
Começou bem o Franky, melhorou um pouco a equipa, mas um conjunto de erros impediram-na de render o suficiente para ganhar. Vercauteren esteve bem no discurso pré-jogo, esteve ainda melhor no discurso pós jogo, falando da necessidade de melhorar e de acreditar, mas, sobretudo, realçando que há jogadores que o surpreenderam positivamente, outros que estiveram mal, dizendo mesmo que há jogadores no Sporting cuja falta de qualidade o desiludiu. Às vezes é preciso falar claro e não ter medo de pôr o dedo na ferida.
O que melhorou? Recuperámos 3 jogadores decisivos, que não tendo feito um jogo fantástico contribuíram decisivamente para a melhoria de qualidade do nosso futebol (Schaars, Insua e Izmailov). Descobrimos que o Jéffren afinal sabe – e muito – jogar à bola. Erros já conhecidos e deficiências que não há maneira de serem erradicadas? Uma dupla de centrais demasiado frágil (a saída de Onyewu foi um crime lesa futebol), Cédric é jeitoso a atacar mas confirma ser muito fraquinho a defender, Wolfswinkel parece cada vez mais desligado dos movimentos ofensivos e da eficácia no remate. Juntando a isto a falta de confiança, de concentração e em alguns casos de qualidade apontadas por Vercauteren, temos aqui um trabalho de Hércules para o belga. Estamos contigo e precisamos de ti, Franky, aperta com eles!




