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Da beleza dessa instituição, o condomínio, pela lente de Bruce Davidson

Quinta-feira, 15.01.15

 

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Os vizinhos podem ser a melhor coisinha do mundo, sobretudo quando não nos fazem entrar em desespero por bloquearem constantemente o elevador, quando detestam fazer conversa de circunstância, quando não se queixam do tempo (lá dizem os ingleses: "the first sign of madness is complaining about the weather"), quando não são caloteiros, quando percebem sem surpresa que o amarelo é para os plásticos e não para os vidros, quando não nos aborrecem as criancinhas com perguntas parvas ou gritinhos entusiasmados, enfim, quando são pessoas normais e não os amigalhaços lá do prédio que moram ao nosso lado mas nunca convidámos para uma cerveja na porta ao lado. Sou do tipo que estima os vizinhos, mas tenho os meus dias. 

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publicado por bolaseletras às 15:38

Seinfeld - Das dúvidas sobre os desejos de boa vizinhança

Quarta-feira, 21.03.12

 

 

Kramer – Olha, preciso de uma fotografia tua.

Jerry – Para quê?

K. – Pus a fotografia de todos na entrada do prédio.

J. – Porquê?

K. – Para que todos saibam o nome de todos. As pessoas vão dar-se muito mais.

J. – Não quero ter a fotografia na entrada do prédio!

K. – Imagina encontrares alguém e dizeres: “Olá Carl!”, e ele responder “Olá Jerry!”. Esse é o tipo de sociedade onde quero viver.

J. – Não quero parar para falar sempre que entrar no prédio. Só quero acenar e seguir o meu caminho.

 

Este diálogo não permite vislumbrar o humor tonitruante da conversa televisiva entre Jerry e Cosmo Kramer, essa inesquecível figura. Aqui, a voz, a acentuação e a flutuação no volume das palavras é a dona do humor, mais do que o conteúdo em si. Ainda assim, este diálogo revela na perfeição aquela que é uma das principais fontes de humor nonsense – mostrar que muito daquilo que desejamos não o desejamos no fundo mas ainda não fomos capazes de usar o cérebro para o perceber. Depois desta troca de argumentos em que Jerry expõe o seu repúdio para com a possibilidade de estreitar os laços de vizinhança, o episódio mostra-nos um Jerry a ser osculado todos os dias pelas velhotas do prédio, a ter conversas da treta com vizinhos entediantes. Jerry sabia bem o que não queria, numa primeira visão da questão. Farto dos ósculos e das palavras mal gastas, informa os vizinhos que os beijos e as conversas acabavam, “nothing personal”, como ele refere. O resultado é que passa a ser ostracizado no prédio e termina o episódio a implorar por beijos e palavras vazias dos vizinhos. Kramer, na sua loucura, é quem de facto sabia bem o que queria e torna-se o ídolo do prédio.

 

E nós? Sabemos de facto o que queremos quando nos queixamos do mundo frio e cruel em que vivemos, quando lamentamos o facto de já ninguém conhecer os vizinhos, já ninguém saber o nome da velhota do 5.º D? Mas queremos mesmo conhecer a história de vida do velhote do 3.º F que vive sozinho, tem um sorriso simpático mas parece tão triste? É nosso anseio profundo tratar pelo nome o emproado do 1.º A? Estamos dispostos a oscular e apertar a mão a toda esta gente? Sabemos de facto o que queremos ou falta-nos uma dose de loucura Krameriana para de facto sabermos o que queremos da vida e, já agora, dos vizinhos?

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publicado por bolaseletras às 21:09

Conversas de elevador - O motoqueiro fleumático

Quarta-feira, 22.02.12

 

 

Vivo num prédio com 15 andares, 4 condóminos por piso, num total de 60 caixinhas de fósforos onde vivem umas boas centenas de pessoas. Como é de imaginar, quase todos os dias me cruzo com vizinhos, visitas, pessoas sempre novas naquela que é a principal sala de convívio de um prédio: o elevador. Aqueles pouco segundos que dura a viagem podem ser silenciosos, banais, aborrecidos, divertidos, fastidiosos, intermináveis ou inesquecíveis. Depende das pessoas que se deslocam naquela caixa nervosa, depende da disposição com que se levantaram da cama. E aqui se inicia uma nova série neste blog, as “Conversas de elevador”. Cá fica a primeira história, esta fresquinha porque ocorrida no dia de ontem.

 

- (Vizinho motoqueiro): Você já viu que nunca mais chove? - Receoso de uma prolongada conversa sobre o tempo, respondo com um sorriso condescendente:

- É verdade, mas também não podemos fazer muita coisa acerca disso. - O interlocutor esboça um meio sorriso a acusar o toque, outro sorriso já mais rasgado a preparar o ataque:

- Os ingleses é que têm razão: Complaining about the weather is the first sign of madness. - Apanhado de surpresa, desato-me a rir e rimo-nos os dois a bandeiras despregadas. Chegado o piso de saída despedimo-nos, imbuídos de uma cumplicidade inabalável. A fleuma inglesa, essa sabedoria ancestral.

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publicado por bolaseletras às 18:40





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