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Tempos estúpidos

Terça-feira, 15.11.16

 

z_yoko.jpg

 

A Yoko Ono, que não deve ser parva de todo, pôs-me a pensar em cenas da vida quotidiana que têm tendência para um preocupante recrudescimento. Falo das crianças que devoram séries, programas, tardes de café com adultos e afins e que, naturalmente, reproduzem todo esse manancial de prejudicial informação para a sua natureza, a sua inocência, manifestando comportamentos desviantes do que deve ser uma criança, tristemente refletidos em défice de sorrisos e de desbragadas brincadeiras, submersas que estão em falas de adultos, em dramas de adolescentes que brilham nos néons da televisão lá de casa que passou a ser a sua melhor amiga, a sua mãe ou o seu pai com falta de tempo. 

Em contraponto, temos os adultos que não conseguem soltar as amarras da doce juventude, tudo fazendo para eternizar esses tempos, esses hábitos, essa confortável ausência de responsabilidade, de horários, de amarras, vivendo numa incessante corrida contra o relógio do tic tac assustador, como se temessem adormecer um dia de fato e gravata e não mais pudessem passar a noite de bar em bar, de engate em engate, de biscate em biscate. Vivemos tempos em que o que somos ou o que temos nunca nos preenche, nunca é o que se quer ou se sonha, como se estarmos bem connosco ou com a nossa vida fosse um frágil sinal de comodismo, de falta de ambição. Vivemos tempos estúpidos.

 

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publicado por bolaseletras às 11:13


4 comentários

De Teresa a 15.11.2016 às 13:18

Não, TIME, não é um conceito creado pelos humanos.
É um conceito criado pela natureza e desvirtuado pelos humanos.
A mulher é completamente parva e apenas e só mais um "fenómeno" criado por essa sociedade incrível que criou tudo o que são mis-concepts da vida Ocidental (excepto a Rússia de Putin )

Não ser, não ir atrás, do que dizes - das e nas crianças e dos e nos adultos - requer coragem que é algo que de pequenino nos vão - vamos - destruindo. Porque sair da norma - por mais anormal que seja - requer coragem que não é compatível com o "Então, hoje fizeste muitos amigos na escola?"

Tinhamos aqui pano para mangas e eu não tenho tempo porque um novo colega que insiste em fazer-me perder - tempo e não só - acabou de me chatear com a conversa de porque é que eu preciso de uma Bimby e como estou a ver mal as coisas quando digo - e explico - que não. 10 minutos que já não recupero da minha vida e da minha sanidade

Abraço,
Teresa

O meu melhor amigo quando terminamos o desabafo de tudo o que vai mal, esquisito, supreendente no mundo costuma rematar com um "Teresinha, vivemos tempos esquisitos". Diz tudo. Do nada. Resta-me a mim - porque eu acho que à Yoko ainda não lhe perdoaram - os Amigos lúcidos. Como ele. Como tu ... e os breves momentos em que se fala a mesma língua, se pensa a mesma coisa, se sentem as mesma inquietações...

De bolaseletras a 16.11.2016 às 20:11

Um colega que precisa de uma bimby é um convite a arranjar um ódio de estimação no trabalho. Sem maldade, apenas para desenjoar das tarefas rotineiras;-). Os tempos estão esquisitos mas a culpa não é do tempo...se calhar até é nossa...

De m-M a 15.11.2016 às 15:59

Ainda hoje acho que "sem intenção" ou noção... mas, há 20 anos, fui uma criança como as que referes no 1º parágrafo.

No meu caso reproduziu-se numa exigência pessoal extrema, numa "necessidade" de não repetir erros/falhas/infelicidades dos mais velhos...
E aos 31... estou a aprender a descobrir afinal, como quereria ter eu sido e ser essa pessoa...

Obrigada pelo texto!

De bolaseletras a 16.11.2016 às 20:13

Obrigado eu pelo comentário, só por ele valeu a pena ter escrito este texto...e se calhar até ter um blog;-). Volte sempre!

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