Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Uma ténue luz ao fundo do túnel
Acreditem que queria! Queria não me debruçar sobre esta propalada ameaça ao regime democrático, este pré-anunciado cataclismo da crença do povo nas suas instituições e representantes, sobre esta que muitos classificam como a mais grave perseguição justicialisto-justiceira dos tempos da luso democracia. Por outro lado, por mais tentador que seja fugir aos soundbytes do momento, não vivo, por mais que o desejasse, numa torre de marfim envidraçada, imune aos despautérios da excitação mediática. Procurando extirpar deste cancro noticioso alguma pepita de optimismo, tenho a dizer que vejo ali ao fundo do túnel uma ténue luz, uma secreta esperança de que tudo isto sirva para que quem exerça cargos influentes ou detenha, num determinado momento histórico, uma boa dose de poder, perceba que além do imperativo moral e cívico de se conduzir pela lei e pelo interesse público, tem também, a partir de agora, caso lhe falhem esses imperativos cívico-morais, a espada da lei sobre o pescoço. Em última instância, pode ser que isto afaste da política aqueles que a vêm como o paraíso da trafulhice e convide gente cada vez mais séria a participar nela.
P.s. – Não, isto não é uma condenação prévia ou uma violação gritante do princípio da presunção de inocência, é apenas e só, independentemente da sentença definitiva que venha a ser proferida pelo tribunal, uma mera opinião e uma secreta esperança.

