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William, Sir William

Quarta-feira, 27.06.18

 

william.jpg

 

Foi Bill Shankly quem afirmou que algumas pessoas pensavam que o futebol era um assunto de vida ou de morte e que repudiava essa atitude. Para ele, simplesmente, o futebol era muito mais importante que essas balelas. Baixando um pouco a fasquia, diria que o futebol não é a vida mas imita-a de perto, reproduzindo fielmente as suas glórias e desgraças. São inúmeros os exemplos de grande homens que, embriagados pela fama e pela adulação popular, não resistiram a tal pressão, acabando por cair em desgraça, depressão ou, como comprovado em demasiadas primeiras páginas dos tabloides do costume, em suicídios desesperados. Também no futebol temos casos desses, também no futebol quem ontem estava no topo da montanha facilmente é aquele a quem hoje o insucesso ou a fatalidade de se ser não mais do que um ser humano bate à porta sem aviso prévio e sem pedir licença.

 

Exemplificando, diria que bastará olhar para os desempenhos aflitos das grandes e afamadas seleções mundiais no Mundial da Rússia para percebermos o peso que as expectativas colocam sobre os ombros de 11 jogadores, as repercussões que podem ter no seu desempenho. A Alemanha qualificou-se contra a Suécia sofregamente, marcando um golo aos 95 minutos. A Espanha ganhou sem saber bem como ao Irão, tendo empatado com Marrocos aos 89 minutos. Portugal foi o sofrimento conhecido para assegurar a passagem aos oitavos de final e a Argentina só lá chegou com a bênção do Papa e a genialidade de Messi. Em termos individuais, Neymar, sufocado pela pressão, desfaz-se em lágrimas quando marca um golo, o semblante de Messi é de profunda angústia antes de cada jogo. Maradona, o maior de todos dentro de campo nunca conseguiu viver verdadeiramente fora dele, neste campo estéril de golos, piques e magia em que já não é a estrela mais reluzente.

 

Depois temos outro tipo de gente, de outra fibra. Mais que todos, Cristiano Ronaldo, o homem que olha o medo e a angústia nos olhos, se ri deles e, se necessário, marca 3 golos aos campeões do mundo para não deixar 10 milhões desamparados. Sobre CR7 haveria tanto para dizer que nem vale a pena dizer mais nada. Outro exemplar de fibra e perseverança é William Carvalho, o novo case study nacional. O novo patinho feio da selecção - um exemplo perfeito de como o amante do futebol pode desconhecer tão profundamente o futebol e mesmo assim amá-lo – um rapaz que depois do furacão que foi nos últimos meses a sua relação com o clube do seu coração, que agora é atacado por tanta gente, continua a fazer o que tão bem sabe, como se o seu futebol cristalino e os seus passes de algodão criassem em volta de si uma cápsula à prova de tempestades. Sem correr como o Usain Bolt, pensa e executa mais rápido que todos os outros, antecipando tudo o que os adversários ainda sonham que irão fazer, fazendo girar a equipa, gerindo e controlando os ritmos de jogo como mais convém à equipa e à fase específica que o jogo atravessa, a maior parte das vezes fazendo-o com tamanha simplicidade que compreender tudo isso é demasiado complicado para o comum dos mortais.

 

E sabem que mais? GANHAR, CARAGO!

 

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publicado por bolaseletras às 14:14


2 comentários

De Teresa a 28.06.2018 às 11:06

Não sei António.

A verdade é que está tudo louco e mais infeliz, frustrado e agressivo do que nunca.
Já não há prazer só pelo prazer - em tudo e o futebol também faz parte do tudo.
Raivas, invejas, agressividades, maledicência são os sentimentos perenes de um Jogo. Qualquer jogo. E o que o antecede, E o que o precede.
Já não se revê o jogo para não levarmos com locuções sofríveis. Já não se vêm as análises - essa oportunidade de revermos nossos ídolos com menos sucesso a mandar bitaites - porque nada é sobre o que se passou ali. Mas mais o que se passou e passa na cabeça de todos menos os 12 que nos interessam.
Valha-nos os memes (enquanto não disserem respeito aos nossos).

Em relação ao teu post - sorry, acabo fazendo contigo aquilo que critico nos outros - fio-me na opinião de quem (também) não percebe nada disso:

Críticas a William

"Havia um jogador estava a tomar conta do jogo [na partida frente ao Irão], marcaram homem a homem o jogador que estava a ser mais influente, que foi o William". Fernando Santos (após aquele jogo de m**** com Irão)

Abraço e hoje é dia de vermos os Ingleses (não é que os anormais foram meter 6 golos ao Panamá (aposto que nem sabiam que lá estavam )??? Hoje vai ser um dia duro, a menos que aos Belgas lhes dê para serem Belgas-comme-si-comme-ça. É que já há gente a comprar bilhetes para a final... O Leicester não lhes ensinou nada )

Pela minha parte vou chorando... quando os vejo a cantar o meu hino, quando os vejo com as minhas quinas ao peito, quando vejo os meus meninos naquela "linha", e chorarei com eles até no final. Porque qualquer um deles dá mais por Portugal (e tantos Portugueses) do que 99,99% daqueles que eu conheço.

Hoje é dia para Pessoa:

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

(o Mar é a minha Selecção e agora o Bojador a Ruxia )


Gosto de William. Para ser sincero nunca pensei gostar tanto... e acho piada que num dos anuncios (onde espremem mais o sumo que eles dão) o William é o único que não ficou de cabelo branco. Hummmmm tanto haveria para dizer sobre ele e todos os que silenciosamente entram em "campo" já suados

De bolaseletras a 03.07.2018 às 16:39

Gosto muito do William, Teresa. Gostava de gostar tanto hoje como gostava há uns meses, mas fiquei desiludido quando ele não foi um super homem, quando uma qualquer Kryptonite não o deixou amar o Sporting contra tudo e contra todos. Ele é humano, eu também sou e as coisas são como são. Boa semana!

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